A Co-Dependência, Amor ou Maldição?

A entrega incondicional na relação amorosa desde há muito que se tornou um arquétipo universal, cantado pelos poetas, empolado nos romances e ilustrado no cinema ou no teatro em cenas dramáticas que nos comovem a todos, tal é o nosso desejo de sermos assolados por um  sentimento amoroso tão avassalador.

Na realidade, a entrega sem limites ao outro tem consequências nefastas para o próprio e revela diversas fragilidades justificadas pela intensidade do sentimento amoroso. Gradualmente a pessoa anula-se na relação para poder servir os interesses da pessoa amada, funde-se com ela chegando mesmo a perder a sua própria identidade, enquanto reclama não sentir da outra parte o mesmo empenho e devoção.

A organização da vida de alguém em torno da pessoa amada ao ponto de tornar inconcebível a sua existência sem o outro é uma forma de dependência semelhante à dependência de drogas ou álcool, cujo carácter destrutivo requer tratamento e prevenção.

Desde o final dos anos 70 que surgiu no meio da psicoterapia o conceito de co-dependência inicialmente usado para descrever as pessoas cuja vida era afectada por alguém dependente de drogas ou álcool. Este conceito teve origem nos Alcoólicos Anónimos que organizaram grupos de auto-ajuda para apoiar os cônjuges de pessoas dependentes do álcool, os Al-Anon.

Estas pessoas eram caracterizadas por procurarem relações com pessoas dependentes de substâncias na medida que estas suscitariam comportamentos co-dependentes. Estes comportamentos incluíam uma enorme reactividade, necessidade permanente de controlo do outro, baixa auto-estima e esvaziamento emocional da pessoa co-dependente.

Este conceito rapidamente se alargou a  pessoas que estabelecem relações em que ficam obsessivas em controlar o comportamento do outro, esquecendo-se de si próprias e do que as terá levado a agir desta forma.

As pessoas co-dependentes sentem-se incompletas sem o parceiro(a). Têm pouco amor-próprio, são muito auto-críticas e sentem-se magoadas facilmente. Por estas razões os co-dependentes são muito reactivos às atitudes e comportamentos do outro, têm dificuldades em expressar certo tipo de sentimentos em que julgam ficar demasiado expostos ou vulneráveis. Por consequência, estas pessoas têm dificuldade em pedir ajuda, em reconhecer os seus erros e olhar para as suas feridas. Tudo porque têm medo de perder o controle. O controle sobre si próprias que é assim assegurado através do controle do outro.

Os co-dependentes tentam reforçar a sua auto-estima ajudando os outros a resolver os seus problemas, nem que para isso tenham de comprometer a sua integridade e os seus valores. Os co-dependentes têm dificuldade em dizer que não, têm relações sexuais sem vontade, despendem demasiado tempo a dizer que tudo vai bem.

Numa fase inicial, os co-dependentes dedicam-se a tentar “salvar o outro”, zelando quase religiosamente pelos seus interesses, tomando para si a responsabilidade das suas acções, pensando por eles, sofrendo as consequências do seu comportamento. Posteriormente, os co-dependentes zangam-se com os outros pela falta de gratidão e reconhecimento, chegando ao ponto de sentir uma raiva incontrolável sobre os outros e sobre si próprios.

Este ciclo deixa a pessoa co-dependente ainda mais frágil porque deu tudo e afinal não mudou nada. Na verdade, a pessoa co-dependente ajuda o outro a perpetuar os seus problemas e a desresponsabilizar-se dos seus actos. Quando estas relações atingem um ponto de  ruptura, a pessoa co-dependente tende a procurar outra pessoa problemática para dar início a um novo ciclo.

A recuperação da co-dependência inicia-se pela tomada de consciência de que a pessoa precisa de centrar-se em si mesma, desprendendo-se da adição ao outro, procurando ajuda para identificar as suas vulnerabilidades e os vazios que tenta preencher através da dedicação aos outros. Quando as pessoas começam a gostar de si mesmas, a cuidar das suas feridas e a sará-las, quando aprendem a expressar os seus sentimentos e necessidades de forma adequada, as pessoas ganham noção dos seus limites e ganham perspectiva sobre si próprias.

Quando as pessoas gostam de si mesmas vão tender a procurar pessoas que as valorizem e respeitem pelo o que elas são. O ciclo da co-dependência pode ser interrompido e desfeito quando a pessoa co-dependente compreende que a resolução do seu problema reside em si próprio. Reside em tomar responsabilidade por si, tomar conta da sua vida e assim ficar disponível para poder verdadeiramente amar.

Sugestão de leituras sobre este tema:
“Vencer a Co-Dependência – Como Deixar de Controlar os Outros e Cuidar de Si”, Melody Beattie, Sinais de Fogo
“Mulheres que Amam Demais”, Robin Norwood, Sinais de Fogo

Esta entrada foi publicada em Artigos e com as tags , , , , . Guardar nos favoritos o link permanente. Publicar comentário ou deixar um trackback: URL de Trackback.

46 Comentários

  1. Mauricio
    Publicado 20 de Fevereiro de 2009 às 11:21 | Link

    Concordo totalmente com o artigo, e querem saber porque? porque é exatamente o que estou vivendo ( e odiando estar nessa situação). Não estou responsabilizando o outro pois sei que o problema está comigo. É horrível amar alguem mas ao mesmo tempo, sentir que a vida e nada tem sentido sem o outro do lado. Chega ao ponto de simplesmente ouvir a voz da pessoa seria como uma dose de uma droga para amortizar a ausencia que sinto. Odeio isso. Eu quero e tenho o direito de ser livre e por isso assumo que preciso aprender a gostar de mim para ter condições de amar alguem. Eu sou um ser único e mereço passar por essa vida e ser feliz.
    Um abraço.

  2. fatima
    Publicado 25 de Fevereiro de 2009 às 12:05 | Link

    Me senti vivendo o artigo, e o melhor de tudo é que senti um caminho a seguir. Sempre tive minha vida direcionada a outros e o pior, esperando a aprovação de tudo. Infeliz ideia, infeliz atitude, infeliz a vida. Sou amiga de muitos, mas amigos, creio que nenhum…rs. Triste, não eu plantei, eu estou colhendo, recebendo o que fiz a vida inteira. A forte, a poderosa, a independente, a que cuida de tudo, de todos.. sem direito a fraqueza e ao mesmo tempo tendo uma co-dependencia doentia. A vida não é isso… não é esse o objetivo maior. Amar-se, gostar-se, e sentir-se feliz. Fiz uma cirurgia há pouco, e estou esperando a liberação do médico para a guinada. Exercícios, dieta correta, saúde.. enfim fazer por mim o que até hoje não fiz.
    quero me amar.. de verdade.. sem mascará.. sem faz de conta. A vida não é feita de migalhas e sim de um todo, de um inteiro.
    Como disse muito bem o mauricio ..”"” Eu sou um ser unico e mereço passar por essa vida e ser feliz”"”. Um beijo e obrigada!!

  3. Bianca
    Publicado 29 de Março de 2009 às 12:16 | Link

    Lendo o artigo, que por sinal é maravilhoso, descobri que sou um co-dependente sexual. Afinal é o que estou vivendo sempre vive.
    todas as vz deixo de viver a minha vida para ajudar o outro e nunca sou correspondida, por ñ ter amor proprio, sempre vou atras, mesmo sabendo q vou sofrer as consequências depois…Preciso de ajuda, como me libertar??
    bjus e obrigada

  4. Isabel
    Publicado 5 de Abril de 2009 às 9:39 | Link

    Tentar manter uma relação com um co dependente que nao reconhece que o é, é o que tenho feito ultimamente mas sem dúvida que é esgotante. Depois de ler o artigo reconheço que tenho mesmo é de me afastar e de deixar que a pessoa sozinha encontre o seu eu.
    Fez-me bem o artigo e por isso agradeço, álias vou enviá-lo ao dependente, talvez o ajude.
    Obrigada

  5. marcia
    Publicado 27 de Abril de 2009 às 17:14 | Link

    Fui casada 10 anos com um alcolátra. Busquei ajuda no AA em um momento de desespero. Vcs imaginam minha surpresa qudo me disseram que eu era doente ( codependente) tanto quanto meu esposo??? ” Doente é ele..” continuava dizendo p mim…
    Aos poucos fui entendendo o que é codependencia… E eu realmente achava que ele não sobreveria sem mim. Ficava preocupada . Quem vai cuidar dele??? Finalmente me separei.
    Cinco anos apos minha separação. Feridas curadas encontrei um homem maravilhoso. Me pediu em casamento em 3 meses de nomoro. Achei que deveria esperar mais e recusei. Apos um ano e meio de nomoro ele me confessa que é um viciado em sexo.Chegou a tranzar com 50 mulheres em um ano , 3 mulheres em um dia!!! Meu chão caiu!Ele era perfeito! Ele me fazia muito feliz!!! Não imaginava tal descontrole ou doença nele!!! Novamente fui posta a prova!!! Mas sinto como estou forte, sou outra mulher!!! Não quero salva-lo!!! Mas agradeço o quanto ele me fez feliz enquato pode e apenas quero deixa- lo ir embora.
    Fiquem todos com Deus

  6. Rosana Alves Poleto
    Publicado 3 de Maio de 2009 às 17:27 | Link

    após ler a matéria me surgiu uma dúvida, será que numa relação as duas pessoas podem ser co -dependentes? porque se encaixa perfeitamenteos sintomas em mim e meu marido, só que agora eu estou caindo na realidade, e penso igual a amiga Márcia que deu seu depoimento, sou casada a 30 anos,me casei virgen com 16 anos, conheci ele ao 13, ele nunca me satisfez, em todos os sentidos, e agora eu penso como aguentei viver insatisfeita, hoje me encontro com uma urticária de fundo emocional e depressão,por ter guardado todos os meus sentimentos e desejos.

  7. Publicado 8 de Maio de 2009 às 7:41 | Link

    Rosana, para responder à questão que coloca necessitaria de mais elementos sobre a dinâmica do casal. Embora duas pessoas possam ter uma relação de dependência mútua, normalmente a pessoa co-dependente caracteriza-se por gerir toda a sua vida em função da outra, esquecendo-se de si ou anulando-se na relação. Convém relembrar que estas situações não são definitivas e que se está sempre a tempo de alterar as regras do jogo e começar a olhar para a forma como as nossas necessidades estão a ser atendidas na relação e no meio exterior. Esta situação implicará uma maior confrontação com o outro e especialmente com o próprio, na medida em que terá de assumir uma postura mais proactiva da defesa dos seus interesses e valorização do seus sentimentos.

  8. Isabel
    Publicado 14 de Maio de 2009 às 10:16 | Link

    O grande mal dos co dependentes é que conseguem fazer-nos sentir culpadas por nao deixarmos tudo por eles, por nao pensarmos primeiro neles, por nao amarmos como eles…. É cansativo para um dos parceiros que o outro nao tenha vida própria e que viva sempre com pena de ninguém o compreender

  9. Publicado 26 de Maio de 2009 às 8:11 | Link

    Oi Rui, sou uma nar-anon em recuperação, li seu artigo e achei ótimo, estou montando um blog pra dividir minhas idéias , tomei a liberdade de colocar esse seu texto lá, claro que com a devida informação.
    Agradeço a ajuda, são poucas as informação para ajudar as familias de adictos na net.
    beijos Paz e serenidade

  10. Publicado 27 de Maio de 2009 às 10:51 | Link

    obrigado e bom trabalho!

  11. Otilia
    Publicado 4 de Junho de 2009 às 9:33 | Link

    Vivo também uma relação assim, acho que somos os dois co-dependentes um do outro, ouve já recente separação, e de novo a união, com traição pelo meio. Ando perdida, nos sentimentos, dividida pela familia, que não concorda, cheia de dúvidas, sobre se vai resultar… Se estou a fazer a coisa certa, ou não? Se continuando na relação vou continuar a ser co-dependente, porque isso eu sei que não quero mais…mas há tão pouca ajuda, a nível médico para quem não tem possibilidades… enfim.. sejam todos muito Felizes, que eu vou tentar também.

  12. Publicado 5 de Junho de 2009 às 0:55 | Link

    Cara Otília existem algumas organizações em lisboa que providenciam serviços de psicoterapia para pessoas com recursos limitados: a Associação Lavoisier que calcula o preço a pagar por sessão com base no irs (www.associacaolavoisier.com) e a Associação Olhar (olhar.sapo.home.pt).

  13. Lara
    Publicado 6 de Junho de 2009 às 10:53 | Link

    Olá Rui, o seu artigo é muito importante, quanto mais pessoas tomarem consciência de que a codependência é uma realidade e que afecta a qualidade de vida ( e muitas vezes a própria vida) dos envolvidos, maiores são as possiblidades de desenvolverem a capacidade de se relacionarem de forma saudável consigo mesmas e com os outros. Sentindo também a necessidade de existir em Portugal um grupo de apoio com o qual estas pessoas se pudessem identificar e recuperar foi criado o MADA, Mulheres que Amam Demais Anónimas com reuniões semanais, todas as sextas-feiras na Igreja dos Anjos em Lisboa.
    Serenidade para todos

  14. Gi
    Publicado 14 de Junho de 2009 às 8:09 | Link

    Olá, Rui! Sou amigada há 4 anos com um alcoólatra, que a princípio me pedia ajuda para parar de beber mas hoje admite que não quer e não vai parar…tivemos vários rompimentos e retornos que resultaram em desgastes para mim, ele e nossas famílias…estou passando com psicóloga e ela em fez ver que sou co-dependente…há momentos em que penso em terminar mas tenho medo de ter recaídas novamente e só nos desgastarmos mais…será possível com tratamento psicológico e participações no CODA eu adquirir forças para sair desta relação e não ter mais recaídas, visto que sei que se me separar, ele irá me procurar insistentemente e tenho medo de não resistir…ele diz que não vai parar de beber mas quando nos separamos e ele quer reatar, jura que vai parar, que quer parar e precisa da minha ajuda…estou perdida e com sintomas de depressão…

  15. Publicado 15 de Junho de 2009 às 3:14 | Link

    A única hipótese do seu companheiro poder vir a parar de beber e decidir tratar-se é só mesmo no caso de o deixar de forma peremptória e sem qualquer tipo de recuos e hesitações. Obviamente este processo de separação não irá ser nada fácil pelo que necessita de apoio psicoterapêutico e duma enorme força de vontade. Tem de pensar que só assim poderá prosseguir a sua vida de forma saudável, caso contrário corre riscos graves de depressão, perda de auto-estima, esvaziamento emocional ou outras pertubações decorrentes do stress elevado que a relação lhe produz. Recomendo-lhe a leitura do livro referido no artigo, Vencer a Codependência, de que o seu caso é paradigmático.

  16. Silvania Pereira
    Publicado 17 de Julho de 2009 às 16:49 | Link

    É exatamente como tenho me sentido,em relaçao ao fim do meu casamento,sinto uma enorme culpa o tempo todo me dizendo:tudo acabou por sua culpa, não conseguia entender porq brigavamos tanto se tinha tanto medo de perde-lo,já faz sete meses e cada dia que passa o sofrimento parece não ter fim. Quando estou no trabalho me sinto muito bem, quanto mais trabalho mais quero trabalhar. quando vai chegando a noite tudo fica mais dificil,e começo a pensar que eu poderia ter feito tudo diferente,teria de ter tido mais sabedoria e ter controlado mais minhas emoções, me sentia fragilizada e ele sabia como provoca esses sentimentos que sem perceber o quanto estava descontrolada o agredia com palavras. Preciso de ajuda. Quero entender que amor é esse?

  17. Publicado 24 de Julho de 2009 às 7:13 | Link

    Cara Silvania, as separações são sempre muito dolorosas devido a quebra do vinculo afectivo e consequentes sentimentos de perda e ou rejeição. Contudo, é muito difícil sustentar uma relação em que existe uma grande conflitualidade que é sempre da responsabilidade das duas pessoas, mesmo que a sua situação seja a de co-dependência. Não tenho informações suficientes para poder avaliar a dinâmica da relação mas parece-me que a Silvania tem dúvidas sobre como deveria ter agido ou porque foi levada a agir com o seu companheiro de uma forma que era incoerente com o que sentia por ele. A agressão à pessoa amada pode ocorrer por várias razões. Pode estar relacionada com a dinâmica do casal e ser uma forma de resposta a uma provocação ou agressão do outro ou uma forma disfuncional de expressar insatisfação, falta de poder, zanga ou ciúme quando não se conhecem outros meios mais saudáveis de expressar estes sentimentos ou resolver a discórdia no casal. A agressão pode estar também relacionada com factores decorrentes da experiência e estrutura do indivíduo tais como a insegurança e falta de auto-estima, ou com experiências do passado que criaram receios de perda, mal-trato ou angústia de abandono pelo outro. Em todo o caso, é fundamental que as pessoas sejam capazes de poder dialogar sobre as suas vulnerabilidades e as do outro sem se sentirem julgadas ou constrangidas, para que a relação se possa tornar um espaço de initmidade e segurança para ambos.

  18. rubia
    Publicado 18 de Agosto de 2009 às 10:43 | Link

    Olá, os co-dependente, sempre atrai pessoas problematicas, para sua vida?
    estou perguntando isso, pq meu esposo, tem esses sintomas da matéria, e não gosto dele me controlando o tempo todo, e faço tudo para não deixa-lo irritado, sempre chego nos horarios, dou satisfação de tudo na miha vida, apenas para não magoa-lo, mas estou me sentindo sufocada, e tenho medo de larga-lo, e ele não aceitar bem essa situãção, estou muito preocupada, nao sei o que fazer, nesse caso, tbm sou co-dependente?

  19. Publicado 24 de Agosto de 2009 às 2:19 | Link

    Cara Rubia está de facto a pactuar com as necessidades de controle do seu marido o que a leva sentir-se sufocada e sem espaço para poder expressar o que sente. Uma relação implica a possibilidade de dialogo aberto sobre os sentimentos e necessidades de cada um bem como o direito à nossa privacidade individual. Sem podermos confiar na outra pessoa torna-se difícil criar intimidade e proximidade na relação porque existe uma tensão constante que na medida em que nos sentimos desconsiderados e por vezes até violados ao nível da nossa privacidade e integridade psicológica. Deverá falar com o seu marido sobre o que sente e avaliar até que ponto o seu marido estará disposto a atender às suas necessidades. Se não reivindicar para si o direito a falar sobre os seus sentimentos e obter a atenção do seu parceiro, estará de facto a anular-se na relação e a estabelecer uma situação de co-dependência.

  20. Leniclécio Miguel
    Publicado 27 de Agosto de 2009 às 17:30 | Link

    Olá à todos (as)! Infelizmente me vejo nesse patamar de pessoas, as co-dependentes. Já perdi 3 relacionamentos com isso, sempre era possessivo, cobrava atenção, pois dava atenção, respirava por eles. Não me conformava quando ele queria sair para algum lugar sem mim, me matava todos os dias. Muito ciumento queria controlá-lo e tentava impedir que ele olhasse até para sua própria sombra. Afora as crises de loucuras. Ligar para seu trabalho para saber se ele estava lá mesmo, para casa de seus pais, para ele e insistir em conversas torpes. Procurar ver suas ligações recebidas e mensagens no celular. Tinha (tenho) todas as senhas dele. O que estou me referindo é o último relacionamento, que cansou de mim. De minhas neuras e paranóias, de minha co-dependência. Só estava bem, se ele estivesse bem. Se ele estivesse triste, eu estava. Se ele estivesse preocupado, eu estava. Eu era o reflexo de tudo. Não consegui me sobrepôr à isso, pois continua maior que eu. Hoje procurei ajuda psicológica, espero que consiga algum êxito. E, quanto ao meu ex relacionamento: Sabe que a culpa não é dele, está aí, vivendo a vida dele, conhecendo pessoas, festas, reuniões, trabalho, família, igreja, feliz da vida. Enquanto eu? Cada vez mais na fossa. Agora pergunto a vocês? Isso com certeza não é amor que sentimos.

  21. RUBIA
    Publicado 8 de Setembro de 2009 às 12:12 | Link

    Caro, Rui, segui seu conselho, falei com meu esposo, hj ele esta fazendo terapia, e já estou vendo resultados… muito obrigada…

  22. carla
    Publicado 23 de Janeiro de 2010 às 19:08 | Link

    Rui,
    Muito interessante seu artigo, me identifquei e muito e creio, aliás tenho certeza que sou uma co-dependente.
    Namoro (nem sei se o termo é este), um homem há mais de 5 anos. Como nos conhecemos em uma situação inusitada, e sempre levamos uma vida de acusações, mágoas, e nos ferindo constantemente. Acontece que não conseguimos nos separar, quando ele tenta eu não deixo e vou atrás, quando eu tento e me afasto e vêm com ameaças, mas nunca me assume.
    Minha maior mágoa é saber que mesmo sobre pressão ele jamais assumirá nosso relacionamento. Somos livres desempedidos mas ele não assume a relação, e mesmo sabendo disto não consigo terminar, fico totalmente perdida quando não estou com ele. Por favor me ajude.

  23. Publicado 24 de Janeiro de 2010 às 3:04 | Link

    Carla é muito difícil eu poder ajudá-la desta forma se você mesma reconhece a dificuldade de terminar uma relação que sente não lhe fazer bem. Como refiro no artigo a pessoa co-dependente necessita de fazer um trabalho de valorização de si mesma e reforço da auto-estima para conseguir ganhar a força e consciência necessárias para poder alterar este padrão de relacionamento e procurar alguém que a valorize e respeite. O recurso à psicoterapia e ou a grupos de auto-ajuda é normalmente necessário para modificar o padrão de co-dependência.

  24. Di.
    Publicado 28 de Fevereiro de 2010 às 5:44 | Link

    Olá, notei que somos os dois co-dependentes.E desgastante,perdi a auto estma e amor proprio, por fazer tudo que o parceiro queria.Sua manipulação psicologica destroi-me cada dia. Estou a tentar separar-me pela 3ª vez, já que me procura sempre e não resisto.Prometendo que vai mudar quanto ao consumo.Ele é toxicodependente, alem de beber e ser agressivo comigo. Quer fisica, quer verbalmente.Depois que tentamos, começa tudo de novo. Sinto-me cansada, de lutar por esta relação, e não entendendo, como posso gostar de alguem com tais vicios e que me maltrata. causando-me instabilidade tanto a nivel emocional como finaceiro.Acusa-me de a culpa ser minha, de todas as discussoes, quando é ele que implica com tudo, quando começas a sentir falta da droga ou está com bebida a mais.Estou a dividir a casa até poder sair daqui, pois quero sair disto. Só não entendo, meu sentimento de pena por ele, apesar de tudo que já me fez.Chegando a pensar que sou doente, que nunca mais vou voltar a ser eu, que não mais vou ter paz ou ser feliz.Gosto muito dele, penso que amo demais,no entanto, seus maus tratos e dependencias,fazem-me pensar, que ao seu lado, nunca o conseguirei.Entretanto, já procurei ajuda psicológica, já que me sinto esgotada, tendo até pensamentos negativos com respeito à vida.Pretendo, por favor, uma resposta sua, com relação a tudo isto.
    obgrigada

  25. Publicado 3 de Março de 2010 às 8:11 | Link

    Parece-me que apesar de ter tomado a decisão de separar-se do seu companheiro ainda se sente insegura quanto a fazê-lo, o que é natural devido a vinculação afectiva proporcionada pelo tempo em que estiveram juntos e especialmente pelo seu lado co-dependente. Investiu na relação na expectativa que o seu companheiro mudasse e acabou sentido-se agredida e traída pelo comportamento deste. Estes sentimentos de frustação e culpabilidade são também resultado da diminuição da auto-estima que podem levar a situações de grande desespero e vazio emocional como aliás refere. A únca solução para a situação descrita é a separação, sendo importante recorrer a ajuda psicológica para apoiá-la no processo de separação e posterior recuperação.

  26. Di.
    Publicado 4 de Março de 2010 às 12:32 | Link

    Agradeço desde já o seu parecer. Já estou a ter ajuda psicologica, terapia vou começar brevemente. Toda a ajuda até agora, me tem fortalecido a escolha da melhor decisão, que é a separação. Sinto a recuperar algo aos poucos, tanto a liberdade, como a paz interior, como amor proprio.Torna-se dificil. e tambem desconfortável, visto que ainda divido a casa com meu companheiro. Mas muito obrigado pela resposta ao meu comentario. Tudo que seja conselho medico,me serve de momento de ajuda.obrigada

  27. Carla
    Publicado 4 de Abril de 2010 às 20:14 | Link

    Quem bom que encontrei. Estava precisando muito de falar: sou CO-DEPENDENTE. Namoro há 11 anos um mesmo rapaz, ele é dependente químico (crack), não tenho intensão de largá-lo pois o amo muito. Vivo na esperança que ele melhore mas sofro muito além do mais me sinto impotente para arrumar outro namorado, pois apesar da doença dele, o amo muito ainda não sei viver sem ele. Preciso de ajuda. Que Deus me conforte…..

  28. Adriana
    Publicado 8 de Abril de 2010 às 14:17 | Link

    Após ter passado por dois relacionamentos completamente destrutivos, terapias, etc, me descobri co-dependente. Além do mais, grande parte da minha família é co-dependente. Desde os 17 saí de casa porque não aguentava o ambiente tenso e estressante da minha família. Porém isso não evitou que depois eu me envolvesse com pessoas que apresentassem as mesmas características de meus familiares. Atualmente encontro-me isolada das pessoas, pois não sei em quem confiar, e me irrito de maneira extrema quando percebo que alguém está me controlando emocionalmente. Ainda culpo principalmente minha mãe por ter me feito de terapeuta quando criança, tendo que suportá-la falar das traições do meu pai (não se divorciaram) e da falta de juízo da minha irmã. É difícil perdoar uma infância e adolescência perdidas. Mas eu entendo que assim como eu, talvez eles tenham tido menos de suporte emocional que eu. Hoje com 25 presto muita atenção em relação às pessoas com as quais me relaciono, faço psicodrama, e não vejo o dia de perceber que finalmente tenho uma vida, a minha vida, e que sou feliz da maneira que sou e não da forma que querem que eu seja. Em relação à minha família, já desisti, infelizmente, não preciso mais deles emocionalmente. Quando mostro a eles meu ponto de vista ou deixo claro do que gosto ou não, eles utilizam aquilo que não gosto para me irritar, se fazerem de vítimas e espelharem para toda a família o quão ingrata e grossa eu sou. Eu não mereço isso. Agora busco relacionamentos saudáveis, pessoas saudáveis e o meu crescimento inteno.

  29. Publicado 9 de Abril de 2010 às 2:44 | Link

    Carla a sua dependência está a dar suporte emocional à dependência química do seu namorado numa dinâmica destrutiva para ambos. Se o seu namorado não quiser procurar ajuda a única solução para si é ser você a procurar ajuda para se libertar da dependência dele. O amor de que fala não é saudável, é como uma droga da qual está dependente, é um amor que a consome e a destrói. A sua dependência é tão destrutiva para si como a dependência química do seu namorado para ele. Merecerá a pena reflectir sobre o que deseja para si e para o seu futuro.

  30. Publicado 20 de Abril de 2010 às 8:13 | Link

    ola´Estou procurando ajuda e ao ler o artigo parece que tratava-se de mim.Vivo um relacionamento conturbado com um homem viciado em traiçao mais nao consigo me afastar dele .Ja faz quatro anos que ele tem outra pessoa e deixei de ser esposa para ser amante ele e totalmente falido financeiramente mais consegue me realizzar sexualmente por isso tornei-me uma viciada .tenho consciencia da minha fraqueza como mulher mais nao tenho forças para reagir .Hoje ele mora so mais o maior tempo fica na casa da outra mas tambem nao me deixa em hipotese alguma .Nao aceito em ter o ajudado tanto e ele ficar com a outra.preciso de ajuda urgen

  31. Publicado 29 de Abril de 2010 às 23:47 | Link

    Realmente encontra-se numa situação de co-dependência com consequências muito negativas para si e para a sua auto-estima. Deverá recorrer a psicoterapia para a auxiliar a resolver o seu problema pois não me parece ser capaz de libertar-se do seu companheiro sem ajuda embora já tenha consciência que esta será mesmo a única solução. Por outro lado, se deixar o seu companheiro irá sentir-se melhor consigo mesma e ele também a irá valorizar e provavelmente tentar recuperar a relação consigo, cenário que a ocorrer deverá evitar.

  32. Di.
    Publicado 6 de Maio de 2010 às 4:17 | Link

    Lamentávelmente, não estou a conseguir. A depressão está presente, apesar de estar a ter terapia, ando muito sensivel, pois qualquer coisa chroro. Todos os dias, penso em alguma altura na forma mais fácil de me livrar disto. Existe algo estranho em mim que não entendo bem, que é o facto de querer estar junto dele, mas quando o faço, começo a tremer. É inesplicável, uma sensação de angustia, raiva, tristeza, desejando que me dissesse algo bonito, mostrasse algum afecto, que tem saudades de dormir comigo, já que estamos separados embora na mesma casa, mas isso não acontece. Ali fico eu sentada, à espera de algo que sei não existir nele…amor…pois o seu amor são as drogas, a bebida e a noite.Ele ficou de sair, mas não sai, sei que não tem dinheiro para alugar uma casa, então perguntei se não o fazia por isso, ou se tivesse dinheiro se já o teria feito.A resposta foi…porque?Para ti sou apenas uma sombra, foi o que eu lhe disse.Respondeu-me que a sombra é ele. pois só cá vem dormir.Penso largar tudo aqui e partir para longe, onde tenho uma parente bem chegada que me xama, que me diz que largue tudo.e vá…É longe, falta-me a força, a coragem e tenho medo da saudade. Vou perder muitas coisas, isso entristéce-me profundamente, como bens, o meu país, o trabalho e o contacto directo com duas filhas que não são dele, mas que terão que ficar, mas que tambem me dizem que parta, pois preferem ver-me longe e feliz, que perto e infeliz. A confusão é grande, sem que me apeteça trabalhar, viver….sinto muito sono, durmo horas a fio, sem que se justifique e quando durmo, só tenho pesadelos, acordo sempre a transpirar, pois neles sinto humilhação, tristeza e raiva. porque até lá ele me aparece com mulheres, cenas de ciumes e agressoes. Sinceramente não sei como me vou livrar disto. Sinto que estou a ficar doente, se já não estarei. Afinal não posso esperar nada desta relação, mas é algo que sempre alimento e está presente….A esperança de que volte tudo ao inicio….sei que é impossivel, mas desejo isso, algo que entendo que não mais voltará…E quando penso nisso, sinto que não consigo dar-lhe afecto, pois sinto sempre tristeza ao seu lado.É um quero e não quero…por vezes penso que seria bom que ele tomasse uma overdose…que só assim ficaria livre….Como posso sentir o desejo de amar e odiar ao mesmo tempo?..não entendo, mas é verdade.Estou a um passo da decisão de partir, pois entre todas, só vejo essa como a melhor.Ficar longe, embora tema que me procure e não venh a conseguir, depois de tanto esforço, aceitá-lo de novo.Sinto uma enorme pena ao faze-lo, sei que vai ficar só, que ninguem vai cuidar dele, que talvez irá passar fome.Isso destroi-me por dentro e perco as forças de partir. Existe sempre uma pergunta que faço….será que gosta de mim? E se gosta, embora não demonstre, nem diga nada que me faça acreditar nisso, e se eu parto e perco o homem que afinal amo?e que um dia talvez ainda podessemos ser felizes, mas que por minha causa não fomos, porque acabei tudo e parti….parece de loucos, mas é tudo que vai na minha cabeça, por mais que tente não pensar, esgoto-me e fico cansada de tanto pensar…Afinal já é a 3ª vez que me estou a separar dele, e sempre que voltei, acabei com mais e mais dividas e as agressões piores que antes, voltou sempre tudo ao mesmo. Já nem sei se existe solução para isto, sei que é doentio, mas que não me consigo libertar….

  33. Max
    Publicado 6 de Maio de 2010 às 9:14 | Link

    A minha questão tem a ver com a duvida de se a paixão, digamos os primeiros 6 meses em que nos conhecemos e disfrutamos de uma típica co-dependência, é ou não natural e normal?
    Existe uma fronteira entre paixão e co-dependência? É “legítimo” pensarmos que estamos co-depedentes por estarmos apaixonados e esperar que o “lume” fique mais brando?
    Obrigado

  34. Publicado 9 de Maio de 2010 às 0:33 | Link

    O seu comentário é muito tocante e revela o lado destrutivo da co-dependência provocada pelos sentimentos contraditórios, sentimentos de culpa e uma dificuldade terrível de deixarmos uma pessoa que amamos mas que sabemos que nos faz mal. A leitora já tem implícito no seu comentário a solução para o seu problema e a necessidade de manter o apoio psicoterapeutico e dos familiares e amigos para se poder libertar duma relação tão destrutiva para si.

  35. Publicado 9 de Maio de 2010 às 1:07 | Link

    A paixão e a co-dependência são estados diferentes embora possam ser compatíveis. Muitas vezes as pessoas co-dependentes justificam a manutenção de relações desta natureza porque se sentem apaixonadas pela outra pessoa. A paixão e o enamoramento surgem numa fase inicial da relação e caracterizam-se por um lado obsessivo em relação à outra pessoa mas em que existe um certa reciprocidade no desejo de agradar, estar com a pessoa, pensar nela. Regra geral, durante o período de paixão, as pessoas sentem-se valorizadas pela atenção e afecto do outro e preenchidas pela reciprocidade dos sentimentos. Naturalmente ao fim de algum tempo as relações tendem a evoluir para uma visão mais realista do outro, menos obsessiva e dependente. Numa situação de co-dependência persiste sempre o sentimento de que a pessoa não consegue viver sem a outra ou seja que de alguma maneira a própria existência da pessoa estará em risco se o outro se for embora ou se nós o deixarmos. É este sentimento implícito da necessidade do outro para podermos subsistir que deixa a pessoa vulnerável na relação.

  36. Luizinha
    Publicado 11 de Maio de 2010 às 10:13 | Link

    Dr Rui estou preste a me separar, de uma relaçao de 10 anos, meu casamento é meio conturbado por conta de que eu ganho mais que o meu Marido, não discutimo sobre isso, mas tento suprir agradando sempre ele.
    Depois que li sobre este tema vi que sou uma có dependente.Sofro muito por isso.

  37. Maria Gonçalves
    Publicado 22 de Maio de 2010 às 4:39 | Link

    Boa tarde.
    Conheci este site depois de pesquisar a frase dependência afectiva.
    Tenho um irmão cujo perfil psicológico associo a este “transtorno” – (personalidade dependente?)
    As relações que ele estabeleceu com as namoradas caracterizaram-se por esta total dependência do outro, auto-estima, motivação para a vida e para o trabalho, etc.
    O que me deixa desolada, é que sempre que ele recebe acompanhamento profissional o diagnóstico principal é sempre depressão maior ou transtorno bipolar.. e de seguida vem a panóplia de medicação que o deixa sedado no dia a dia. Há muito tempo que estou absolutamente convencida que o que ele precisa realmente é de ajuda psicoterapêutica. Porém, também é verdade que nem todos os profissionais têm a preparação necessária para ajudar casos complicados como são as dependências, sejam elas de que natureza for. O meu pedido surge da necessidade de conhecermos no Porto alguém que esteja muito bem preparado para responder a estes casos. Há 11 dias o meu irmão cometeu um tentativa de suicídio (segunda e em diferentes relações) que resultou no internamento nos cuidados intensivos em estado de coma por 4 dias. Felizmente a evolução tem sido favorável e ontem já passou para os cuidados intermédios. julgo que o passo seguinte é o internamento em psiquiatria. No caso de não ser diagnosticado o transtorno da co-dependência teremos que o levar para outro lado, pois não podemos arriscar passar novamente por este duplo pesadelo de anos – pedir ajuda profissional em vão e temer perdê-lo nestas tentativas graves.
    se nos puder ajudar neste sentido, fico eternamente grata.
    Com respeito e admiração deixo os meus cumprimentos.
    Maria Gonçalves

  38. Fábio
    Publicado 23 de Maio de 2010 às 9:32 | Link

    Sou filho único, 31 anos, homossexual, apesar de ser discreto e bem masculino, sempre senti sozinho e faço de tudo para estar com alguém. Há um ano tive um relacionamento com um rapaz parecido, e eu comecei a cuidar dele. Ele vinha chorava, derramava seus problemas e eu sempre solícito. Durou dois meses, depois ele começou a me esnobar e sair com outros. Meu mundo caiu, eu o humilhei demais. Ai depois pedi desculpas e tentei ser amigo. Daí surgiu outro problema, ele me acusa de contamina-lo com hiv. Isso virou uma novela, ele começou a se fazer de vítima e eu correndo atrás, sendo humilhado demais, até o ponto de começar a usar muita cocaina em boates. Ai ficava pior ainda. Agora, eu me afastei porque ele me xingou muito, e eu estou tentando restabelecer minha vida. Ele também é codependente, mas depois que conquista, cai fora. Confesso que sinto saudade e choro todos os dias. Mas diminui as drogas, foquei no trabalho e estou tentando esquecê-lo. Mas a sensação que tenho que por sermos parecidos, seria o único amor da minha vida. Mas era tão destrutivo, acabou com minha dignidade, auto estima. Só quero ser feliz comigo.

  39. Publicado 24 de Maio de 2010 às 10:43 | Link

    Cara Maria, não tenho elementos suficientes para poder avaliar o seu irmão como pode calcular. Os diagnósticos de depressão maior e transtorno bipolares não são incompatíveis com a perturbação dependente da personalidade e a co-dependencia, que por sua vez são dois diagnósticos diferentes. O acompanhamento psiquiátrico parece-me fundamental para uma pessoa com as caracterísiticas do seu irmão, o que não exclui a psicoterapia. Pelo contrário, o tratamento psicoterapeutico poderá ajudar o seu irmão de forma complementar ao tratamento psiquiátrico e é aconselhável para qualquer dos diagnósticos referidos. Tenho muito pouco conhecimento de psicoterapeutas no Porto mas deverá pedir referencias no hospital onde o seu irmão está a receber tratamento. Se fôr no hospital de S. João, o professor Júlio Machado Vaz será uma excelente referência e fonte de referencias.

  40. Publicado 24 de Maio de 2010 às 10:52 | Link

    Caro Fábio, a situação que descreve é uma situação típica de co-dependência. A única solução para o seu problema é afastar-se desse rapaz de forma definitiva, evitando todas as possibilidades de contacto porque a tentação de o contactar será grande. É muito positivo que esteja a diminuir o consumo de cocaína que se tornou o substituto do seu namorado ou pelo menos uma forma de preencher o vazio que sente deixado por ele. Focar no trabalho e em pessoas que gostem verdadeiramente de si são boas alternativas. Recorrer à psicoterapia, grupos de auto-ajuda, fazer exercício, cuidar de si são outras estratégias para se sentir melhor consigo mesmo e recuperar a sua auto-estima. Aconselho-lhe o livro referido no final do texto “Vencer a Co-dependência…”

  41. Maria Isidro
    Publicado 6 de Junho de 2010 às 17:15 | Link

    Estou separada à oito anos. Apaixonei-me entretanto mas não há compromisso entre nós. Nesta relação voltei a ter prazer sexual. não acredito nesta relação porque não é o tipo de homem para viver comigo e com os meus filhos. Zangamos muitas vezes mas por causa do desejo sexual voltamos a encontrarmo-nos. Como posso renunciar ao prazer sexual se tenho essa vontade?

  42. Publicado 9 de Junho de 2010 às 8:55 | Link

    Parece-me que há um conflito dentro de si entre os sentimentos que nutre por esta pessoa, refere mesmo que se apaixonou por ele e que tem desejo por ele e a não correspondência desta pessoa à sua idealização de companheiro e pai dos seus filhos. É frequente apaixonarmo-nos por pessoas que não correspondem às nossas idealizações o que não é necessáriamente impeditivo de termos relações gratificantes e saudáveis com elas. Caber-lhe-á pesar os aspectos positivos e menos favoráveis desta relação para poder tomar uma decisão. Sem tomar essa decisão para si não poderá renunciar ao desejo pelo outro. Por outro lado, pode sempre decidir manter um envolvimento com alguém em determinadas condições embora corra o risco de com o decorrer do tempo sentir-se cada vez mais vinculada afectivamente aquela pessoa.

  43. maria
    Publicado 29 de Junho de 2010 às 13:24 | Link

    cheguei a conclusao depois de ler td que sou uma co-dependente, casei ha tres anos e desde o começo ele era ciumento, o ciume foi aumentando e eu aceitando, mudando e as vezes deixando de falar com pessoas por causa dele. ele chegou a bater no meu filho na época com 7 anos e eu perdoei por “amá-lo” . De uns dois meses pra ca ele tem bebido bastante nos finais de semana, chega sempre bebado, esqueceu que eu so estou em casa no sabado e domingo, sai volta a noite e eu cuido da bebedeira, limpo a sujeira, e depois cuido da ressaca , esse final de semana ele saiu demorou a voltar e eu falei uma bobagem na hora da raiva e depois me desculpei, mas ele nao desculpou, no domingo me xingou muito na frente do meu filho, fiquei em desespero e resolvi me separar, mas ele vai ter que sair de casa somente daqui uns 15 dias, eu estou dormindo com meu filho, falo so o necessario com ele, para não ter uma recaida, as pessoas não entendem pq acontecem essas recaidas, só quem tem o problema sabe pq perdoo, as vezes eu acho que amo, as vezes acho que não, não quero mais ficar com ele, mas ai penso se ele vai ficar bem, se não vai ficar sem comer, sem se cuidar, eu faço td por ele, até comida no prato, por favor me ajude.

  44. Publicado 1 de Julho de 2010 às 6:31 | Link

    O seu receio de recair é real e é frequente nas relações de co-dependência precisamente porque se sente que não se consegue sobreviver sem a outra pessoa. A preocupação com a outra pessoa, neste caso o seu marido tem na verdade a ver consigo mesma, com a possibilidade de não conseguir afastar-se e tolerar a separação. No entanto já foi corajosa o suficiente para tomar a decisão de pôr fim a uma relação que se tornou destrutiva para si. Esta decisão é resultado do seu amor próprio, da necessidade de se proteger e cuidar de si. Mantenha-se firme e afaste-se recorrendo à ajuda de amigos e ou familiares bem como considerar a possibilidade de ter apoio psicoterapeutico para a ajudar a recuperar duma situação tão destrutiva bem como prevenir futuras relações em que normalmente se repetem os mesmos padrões de comportamento.

  45. Maria
    Publicado 11 de Julho de 2010 às 6:55 | Link

    Eu sofro tanto cokm isso,agora que li este artigo tenho a certeza de que sou um co-dependente,pelo simples fato de não ter o meu amor próprio em virtude de uma depressão do passado…

  46. Publicado 13 de Julho de 2010 às 2:28 | Link

    Cara Maria, como refiro no artigo a co-dependência tem tratamento que obviamente integrará a melhoria da sua auto-estima. É uma questão de procurar ajuda.

Publicar Comentário

O seu endereço de e-mail nunca será publicado ou partilhado. Campos obrigatórios marcados com *

*
*