Falta de Desejo

Somos um casal há dez anos. No início o desejo sexual era bastante forte, mas as coisas foram esfriando com o tempo, o que pensamos ser natural. Queríamos saber se existe alguma forma de podermos recuperar esse desejo forte um pelo outro como era no início?

É um facto que a rotina e a acomodação à vida de casal pode diminuir o desejo no casal. Não é normalmente erótico executar tarefas domésticas, discutir despesas, ver a pessoa chegar a casa cansada do trabalho. Existem no entanto várias possibilidades de “animar” o desejo num casal instalado na relação. O nosso lado erótico está intimamente associado às nossas fantasias. Poderá discutir com o seu companheiro (a) quais são as vossas fantasias e planear realizá-las, atendendo a todos os detalhes que as tornam particularmente excitantes para si e para o outro. A fantasia sexual alimenta-se da criatividade, da literatura erótica, dos filmes eróticos ou pornográficos, da observação dos outros…usar uma determinada peça de roupa pode ser extremamente erótico para o seu companheiro(a) e para si!

A fantasia erótica está muitas vezes associada a cenários de transgressão. Cada casal e cada indíviduo tem uma concepção subjectiva do que será trangressor para si a até que ponto é tolerável trangredir. Enquanto para uns, recorrer a brinquedos sexuais ou ter sexo na praia será trangressor e aceitável, para outros pode implicar outras situações de maior risco tais como sexo num lugar público. A exposição é aliás outra forma de estimular a sexualidade no casal. Ao contrário do que se poderia pensar, sairem à noite e dançarem juntos perante os olhares e desejo dos outros, acaba por valorizar e estimular o desejo pelo seu companheiro(a).

Outras receitas mais conhecidas como passar férias num sítio exótico ou um jantar romântico implicam a quebra da rotina dum casal saudável e o relembrar de como é gratificante quando o desejo se associa ao afecto pela pessoa amada. Em suma, o reanimar da sexualidade, tal como outras áreas da relação presupôem imaginação, planeamento e investimento pessoal. Contudo, as questões relacionadas com a falta de desejo poderão ter motivações psicológicas mais complexas relacionadas com a história e estrutura do indivíduo e a dinâmica da relação. Nesses casos será aconselhável consultar um terapeuta para auxiliar o casal a identificar os factores inconscientes perturbadores do desejo e encontrar formas de os contornar.

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12 Comentários

  1. artemisasoares
    Publicado 29 de Março de 2009 às 12:30 | Link

    ha muito tempo dexei de ter desejo eso ja vai ha 8 ano mas ke tenta agradar meu kompanhero nao kosigo ja prokurei o mediko de familha mas nao tem resposta

  2. Publicado 30 de Março de 2009 às 7:35 | Link

    Cara Artemisa, a grande maioria dos problemas de sexualidade e em particular os de desejo têm origem em questões psicológicas, por isso deverá consultar um psicoterapeuta com experiência nesta área ou um sexólogo para poderem fazer uma avaliação da usa situação e realizar um tratamento adequado.

  3. Margarida
    Publicado 8 de Fevereiro de 2010 às 5:29 | Link

    Bom dia Dr.,
    relativamente ao assunto”Falta de desejo”, concordo com tudo o que é sugerido.A minha questão, é saber se vale a pena, consultar um psicoterapeuta, quando apenas 1 elemento do casal, está disposto a procurar solução.Estou casada, há 10 anos, e cada vez mais a nossa relação a nível sexual está a piorar.
    Como a nivel de amizade, até nos damos relativamente bem com ajuda do nosso filho de 6 anos, para o meu marido está tudo bem.
    Para ele, estar 2 a 3 meses sem sexo, é normal.A mulher é que é a chata, e não compreende porque anda sempre mal disposta. Porque será?
    Vale a pena ir a um especialista??
    Chega-se a um ponto, em que duvido, se não sou eu que estou a arranjar conflitos.
    Aguardo pela sua ajuda.

  4. Publicado 8 de Fevereiro de 2010 às 10:17 | Link

    Cara Margarida, é verdade que cada pessoa tem necessidades sexuais diferentes que variam segundo multiplos factores que vâo desde os biológicos, aos psicológicos, culturais, sociais etc O que é importante numa relação é poder encontrar um equilibrio entre as necessidades de cada um, o que implica empatia e valorização da outra pessoa e da relação. Muitas vezes a sexualidade reflecte outros aspectos da relação que não estão equilibrados ou questões individuais que se tornam obstáculos à sua resolução. Uma relação é um projecto a dois o que significa que todas as necessidades na relação são importantes e precisam de ser discutidas e procuradas soluções em conjunto. Para isso é preciso algum esforço e disponibilidade para poder dialogar e alterar alguns hábitos. A relação precisa de investimento e criatividade de ambas as pessoas para poder evoluir e atender necessidades diferentes em momentos diversos.

  5. Margarida
    Publicado 9 de Fevereiro de 2010 às 5:55 | Link

    Boa tarde Dr,
    desde já quero agradeçer a sua atenção para com a minha situação.
    O problema é como o Dr. diz, há que haver dialogo.Mas, no nosso caso, não é facil este, e quando há é de curta duracção.Sendo assim as situações, vão-se arrastando, e piorando o restante relacionamento.
    Já tentei por diversas vezes( porque ele nunca inicia),falar sobre os nossos problemas, e o porquê de estar por vezes mal disposta com ele.
    Falamos um pouco, esclarecemos algumas coisas, noto que não me conta, nem metade do que lhe vai na alma.A situação, melhora durante 1 a 2 semanas, mas, acaba sempre por voltar ao mesmo.
    Não consigo que o meu marido desabafe comigo( apenas quando têm um problema muito grande).Se não for por esse motivo, ele diz que ” lhe faço frente”, ou seja, se não concordar com as ideas dele, não vale a pena falar.
    Como não desabafa, recorre a outros metodos, para fazer esquecer, e andar tudo bem.É´aí que as coisas, se agravam mais, pois eu sinto-me completamente posta á parte.EX:Antidepressivos e seus derivados.
    Para ele, o importante é não faltar nada em casa, nem comer, nem dinheiro.Havendo tudo isto, porque hei-de chatear?Se calhar esta situação, de ele ter sido criado, sem muito amor dos pais, apenas a preocupação em ganhar dinheiro para a casa.Mas, estou sempre a arranjar desculpas, para as situações, e a minha atenção e desejos são postos de lado.
    Como posso eu abordar, este assunto com ele, para melhorar não só a nossa relação, mas como também o isolamento deste.
    Relativamente, á falta de necessidade sexual custa-me a aceitar, porque já encontrei pesquisas na NET, de SEXO, e de Meninas, apenas posso concluir que os anti depressivos estão a tomar conta da pouca vontade.Ele têm 42 anos, não sei se têm influência.
    Peço a sua ajuda, para conseguir perceber, onde eu possa estar a falhar, no meu casamento.

    Obrigado

    Margarida

  6. Publicado 12 de Fevereiro de 2010 às 0:48 | Link

    Cara Margarida, este segundo comentário torna mais esclarecedor que a situação que atravessa tem contornos mais complexos e o seu marido está claramente a evitar falar abertamente consigo sobre determinadas questões e necessidades na relação. Como referi no comentário anterior estes comportamentos de negação e evitamento podem ter motivações de vária ordem mas não deixam de ter um impacto muito negativo em si, no funcionamento da relação e em ultima análise no seu marido. Aconselho-a a procurar ajuda terapeutica, sendo indicado no seu caso a terapia de casal. Caso o seu marido não queira participar aconselho-a a iniciar uma psicoterapia individual para poder gerir uma situação tão delicada quanto grave em termos das possíveis consequências na sua vida e integridade psicológicade de ambos os elementos do casal.

  7. Margarida
    Publicado 15 de Fevereiro de 2010 às 5:48 | Link

    Novamente, agradeço a sua atenção.
    Este Domingo, surgiram novamente situações, que me levaram a por fim á relação e a pedir o divorcio.
    A indiferença e a falta de atenção para comigo, levou-me a tomar a desição final.Estou cansada de fechar os olhos, também tenho direito a ser feliz.
    Falei com o meu marido, mais uma vez,para saber o que ele pretendia fazer, em relação á nossa situação.Ele ficou espantado, e respondeu, “Resolver como?”.Eu, confrontei-o com tudo o que estava a acontecer e ele novamente se manteve calado.Eu entao disse-lhe, q ue quem cala consente, e se ele não queria dizer nada para se defender.Ele simplesmente disse, se é isso que tu queres…!Preguntei-lhe que alternativa tinha mais, se não era feliz ao lado dele, por todas as razões mencionadas anteriormente.Eu disse, que nós pertenciamos a mundos diferentes, eu queria voltar a ter paixão, amor, carinho, aventura, viajar , brincar, como quando casei.
    Ele além de me olhar, como se eu estivesse a delirar, só me disse, que eu também não era perfeita( concordo, também erro).Sugeri que me disse-se os meus defeitos, para me poder defender ou corriji-los.
    Disse que eram vários, sem os mesmos ao longo destes anos, e como ex:referenciou-se ao facto de eu não ter arrumado a mesa da cozinha, antes de ter saido, ou de não arrumar a roupa que se encontrava desarrumada….
    Isto para mim, não vale nada, é como estar a falar de alhos e bugalhos…
    Gostava de saber a sua opinião.Eu penso, que ele nem sabe, o que argumentar, é uma pessoa frustrada com a vida e muito revotada com tudo e com todos, e então não é capaz de ser feliz, nem de trazer felicidade a quem está com ele.
    Aceitou a hipotese do divorcio, sem dar mais nenhuma sugestão.
    Vou iniciar esse processo.
    C omo acha que a terapia poderia ajudar?
    Não sei como funciona, a terapia, e por esse motivo custa-me a perceber.
    Têm consultório?
    Aguardo a sua resposta.
    Obrigada

  8. lorena
    Publicado 17 de Fevereiro de 2010 às 10:55 | Link

    o meu caso e parecido com o da margarida.tirando a parte em que vivo com o meu marido ha um ano. eu sei que a culpa não e so dele(sei tbm que não devo identificar culpados)e que devo ter feito algo que despoletou tudo isto e quero descobrir o que…no meu caso ele não tem propriamente falta de desejo,pois reclama quando nao quero,no meu caso acho que nao estamos em sintonia, e quero muito melhorar esta situaçao.

    desculpe a invasao em todos os post.

  9. Publicado 17 de Fevereiro de 2010 às 12:55 | Link

    Cara Margarida, lamento que da conversa com o seu marido não tenham surgido soluções mais adequadas para os problemas que tinha mencionado. Aparentemente, o seu marido não estava interessado em falar sobre a intimidade do casal, sobre as suas necessidades (e as dele) na relação. Os processos de separação e ou divórcio são processos difíceis de sarar que pressupôem um período de luto para se poder resolver a perda a nível interno. Durante estes períodos é comum as pessoas recorrerem à terapia para as auxiliar a processar os acontecimentos que motivaram a separação, expressar os sentimentos inerentes ao luto e reforçar a auto-estima com vista à pessoa reorganizar-se e preparar-se para relações posteriores, evitando erros do passado. Sobre o processo terapeutico tem algumas explicações no menu principal do site bem como o contacto do meu consultório, podendo marcar consulta por telemóvel ou por email se assim o desejar.

  10. Publicado 18 de Fevereiro de 2010 às 2:58 | Link

    Cara Lorena, tanto no seu caso como no da Margarida parece-me que os vossos parceiros não estão a assumir responsabilidade sobre os seus comportamentos e esperam que vocês se adaptem a eles, o que vos está a criar ansiedade e insegurança. Este impasse exige que cada um assuma de forma honesta o que está a sentir em relação a si próprio e ao comportamento do parceiro(a) de forma a serem introduzidas mudanças na relação que não tenham de passar por acusações ou evitamento que aumentam a ansiedade na relação e afastam o casal com consequente diminuição do desejo.

  11. Margarida
    Publicado 18 de Fevereiro de 2010 às 8:51 | Link

    Boa tarde Dr.,

    aconteceu o que já estava á espera, depois de ter tido a conversa, com o meu marido, e tomado a decisão de divorcio, a situação normalizou.
    Eu melhorei a auto estima, porque consegui desabafar e dizer-lhe tudo o que penso, mas receio e não tenho dúvida nenhuma que voltará a acontecer.
    Ele, acalmou e fizemos as pazes( na cama).Embora eu acho que ficou muita coisa por eslarecer.Mas, ele não fala de qualquer maneira.
    Vou tentar-lhe falar das consultas de psicologia, para que ele conseguisse libertar de tudo aquilo que lhe vai na mente.Mas, não sei como começar.
    Porque, enquanto ele não resolver os problemas imaginários ou reais, relacionados com o passado, nós vamos estar sempre em conflito.
    Dá-me alguma sugestão, para sugerir ao meu marido, a consulta de psicologia?
    Em relação á terapia de casal, não sei se alguma vez ele falaria á minha frente, pois já tentei ir ao médico de familia( quem lhe receitou os antidepressivos), e ele não quiz que o acompanhasse.
    Aguardo pelo seu conselho.

    Obrigada
    Ana Margarida

  12. Publicado 18 de Fevereiro de 2010 às 9:13 | Link

    Olá Margarida ainda bem que conseguiram normalizar a vossa situação, pelo menos de momento. Acho que pode sugerir a consulta de psicoterapia para ajudar o seu marido na recuperação da depressão e desde logo também poderão ser abordadas as questões relacionais. Normalmente no tratamento da depressão é aconselhável fazer uma terapeutica conjunta dos antidepressivos ou outra medicação aliada à psicoterapia. Os medicamentos ajudam a pessoa a ter o animo mais elevado e a poder funcionar melhor no seu dia-a-dia e a terapia investiga as razões que estarão na origem da depressão procurando ajudar a pessoa a tomar consciencia de determinados padrões e a fornecer instrumentos para alterá-los. A depressão acaba por ser uma defesa do cérebro quando parecem estar esgotados os nossos recursos. A perspectiva doutras opções contextualizada numa visão diferente do real ajuda o paciente a evitar voltar a deprimir. A terapia de casal também seria uma opção interessante para o vosso caso, embora concorde consigo que o seu marido deverá apresentar maior resistência a esta proposta.

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