Somos um casal jovem (de 29 anos), casados há 4 anos. Considero que sempre tivemos uma vida sexual activa normal, è verdade.
Em Novembro do ano passado descobri que o meu marido tinha umas experiências, que para mim não são normais!! Deste modo, descobri que ele via sites/vídeos pornográficos (isto eu sabia que ele “gostava” de o fazer de vez em quando!!!), mas o que eu achei mais estranho foi o facto de ele se masturbar enquanto o fazia!!! Descobri também que se inscreveu num site (adultfindfriend), procurando mulher entre os 18-30 anos para sexo a dois!!
Obviamente quando vi isto fiquei chocada!! Jamais imaginei que seria capaz disso, senti-me traída!!
Confrontei-o com a situação, e ele disse-me que era “normal, é curiosidade”!
Não me parece que seja normal, e parece-me que é “curiosidade” a mais.
Eu quero pensar que isso foi uma fase, que passa, e que ele nunca teve intenção de me magoar. Mas, fê-lo, e desde então, que de vez em quando este fantasma me assombra!!!
Surge com frequência a questão das fantasia sexuais no contexto da relação e como estas podem ser geridas pelo casal. Na fase do enamoramento, as pessoas estão completamente centradas no outro, não havendo grande espaço para fantasiar sobre outra pessoa que não seja o amado ou a amada. Contudo, este período tem uma duração limitada que pode ir no máximo até aos 2 anos, conforme indicam vários estudos nesta área.
Durante a fase do enamoramento, desenvolve-se o vínculo afectivo que permitirá o crescimento da relação e a ambos os indivíduos serem capazes de aceitar e tolerar as verdadeiras características do outro, passando assim duma fase romântica a um entendimento mais real da pessoa amada.
Por outro lado, surgem com maior visiblidade os aspectos negativos da outra pessoa e o casal entra numa fase de maior rotina muitas vezes associada à decisão de se casar ou viver juntos. A possibilidade de estabelecer uma relação de forma mais séria e durável implica a iminência da perda da individualidade e pode dar origem a estratégias várias que se constituem como obstáculos ao crescimento da relação.
As dificuldades em permanecer e investir na relação estão normalmente relacionadas com estratégias interiorizadas na família de origem e pela forma como foi desenvolvida a personalidade e identidade da pessoa ao longo do tempo, bem como influências do meio exterior, sociais e culturais.
Exemplos comuns das dificuldades em permanecer na relação são os sintomas fóbicos, ou seja, medos irracionais do que poderá acontecer se o indivíduo ficar somente com uma pessoa. São exemplos destas fobias, o sentir-se sufocado pela relação, sentir que se perdeu a liberdade individual, ou ainda sentir que não se experimentou o suficiente para dar um passo mais sério. O compromisso com alguém leva a pessoa a recear que a sua identidade se dilua chegando mesmo ao ponto de não se reconhecer se for fiel a uma só pessoa. Em suma, o indivíduo receia que se perca uma parte fundamental de si próprio se decidir investir numa relação com alguém.
Outras estratégias mais complexas estarão relacionadas com as formas como o inconsciente boicota a experiência relacional com base em experiências traumáticas que aconteceram no passado. Nestes casos, a pessoa tenderá a boicotar a relação com receio de ser abandonada ou para evitar cenários de grande decepção ou sofrimento. Noutras situações, o indivíduo não se valoriza o suficiente (baixa auto-estima), o que o leva a não valorizar quem gosta de si e consequentemente as relações que lhe proporcionam bem-estar e estabilidade, ou por outro lado, a permitir cenários de abuso e maltrato.
Todas estas variáveis poderão participar em dinâmicas complexas que levam muitas pessoas a perder o desejo na relação ou a procurar através da fantasia sexual com o outro sabotar a mesma e logo sabotar-se a si próprias. Mas a fantasia sexual com o outro não significa necessariamente que a pessoa não deseje permanecer na relação ou que esteja a pôr em causa o compromisso que assumiu.
Quando se está em relação, não se fica cego ou surdo relativamente aos outros e às fantasias com outros. O que se torna importante é a forma como se enquadram esses pensamentos e é possibilitada a sua emergência no contexto relacional.
Quando a relação não corre bem, as pessoas tendem a procurar outros pontos de apoio ou escapes, como forma de evitar o stress ou sentimentos negativos provocados pela dinâmica relacional. Nestes momentos, a fantasia sexual com o outro reforça o ego do indivÍduo na medida que lhe assegura a sua própria validade através da capacidade de seduzir alguém diferente e a possibilidade, mesmo que remota, de poder deixar o parceiro(a). A ideia de que existe sempre alguém melhor que vai resolver os nossos problemas pessoais ou relacionais acaba por evitar que a pessoa desenvolva a necessária tolerância à frustração, resultante de lidar com os aspectos negativos do outro e dela mesma e aceite permanecer na relação com uma só pessoa, sem se sentir vulnerável por isso.
Se poderá ser admissível, e essa será uma condição a negociar na relação, cada membro do casal poder visionar e desfrutar de pornografia a título individual — não me parece que esta condição constitua em si mesma um problema, quando ambos estão seguros da sua sexualidade e da vontade de estar com o outro.
Quando uma das pessoas decide passar várias horas em frente ao computador e no caso do marido da leitora, procurar explicitamente um encontro com alguém, ele poderá estar ou não a trair a companheira, dependendo do seu conceito de fidelidade e do que este representa para a relação. Muitas vezes o conceito de fidelidade não se aplica da mesma forma para um e para o outro, sendo frequente as pessoas serem mais indulgentes consigo mesmas. Será que o seu marido também aceitaria o mesmo comportamento da sua parte?
A leitora sentiu-se traída e esse sentimento é suficiente para poder confrontar o seu marido e esclarecer o modo como a fidelidade é entendida na relação. E quando ele vê as imagens no computador ou se masturba, também se sente igualmente traída? O que a leva a querer controlar os momentos a sós do seu marido? Será que já se sentia insegura na relação antes de descobrir as fantasias do seu marido? Como estão as suas necessidades a ser atendidas na relação?
De alguma maneira, na situação descrita, o seu marido poderá estar a testá-la quanto à sua capacidade para aceitar este tipo de comportamento e o conceito de fidelidade que lhe está inerente. Mas esta forma de o fazer também poderá revelar a dificuldade que o seu marido poderá ter em comunicar consigo sobre aspectos que não correm bem na vida do casal ou não ter consciência de aspectos internos que possam estar a sabotar a relação.
Caberá a ambos decidir em que termos aceitam ter a relação e qual o tipo de fidelidade esperada, discutindo abertamente sobre o assunto. A confrontação com o outro é necessária para que seja claro o que está em jogo e as opções que se oferecem ao casal. Neste processo poderá ser útil o recurso à terapia individual ou de casal, para melhor avaliar a situação e os recursos disponíveis para encontrar soluções para os problemas.
Muitas vezes os casais presumem que existe um paradigma erótico para a relação que é o paradigma de quando estão apaixonados, tornando os estádios posteriores da relação sempre menos estimulantes e eróticos. Por outro lado, o modelo de relação dos pais surge muitas vezes como uma experiência não erótica e uma vida de casal rotineira, pouco estimulante e satisfatória. Na verdade, se o investimento colocado na procura de estímulos exteriores for canalizando para a procura de soluções imaginativas e lúdicas na vida do casal, a relação irá fortalecer-se e ganhar maior profundidade e satisfação.
Estar em relação é também uma opção que implica cedências, esforço, adaptação ao outro e mudanças em nós próprios. Mas este desafio constante, a longo prazo, acaba por ser mais gratificante do que a fantasia do que poderíamos ser e fazer, no mundo virtual das nossas projecções.
12 Comentários
Sou contra a essas coisas sou homem de 29 anos e estou casado á quase 2 anos e nunca precisei de trair a minha esposa por semelhânça desse tipo.
Quem faz isso é quem não tem amor a mulher ou ela não o satisfaz no relacionamento sexual.
Nomeadamente vai desculpar de uma coisa que vou aqui sitar!
Pessoas que são assim não são normais e na minha teoria tenho uma religião diferente de todas que existem (Satânico)
Pessoas que são infieis a pessoa amada deviam de ser eliminados,digo isto com uma revolta de existir pessoas que mesmo ao sentimento de amor não tem qualquer respeito nem valor.
Quem não gosta da propria esposa para tudo o que se faz num sentimento de amor não presta nem devia de existir apenas só para fazer sofrer.
E digo a frente de qualquer um (a) sem problema.
Uma coisa quero eu deixar aqui escrito ele realmente te engana mesmo não estando contigo sei o que falo porque sou e nasci para amar e não para fazer sofrer os outros como ele.
Vou sitar uma verdade de um fenomeno que me aconteceu e que ficou comigo para toda a vida.
Sou uma encarnação de uma mulher que efectivamente sempre amou o seu amor depenentemente nunca mais fui o mesmo.
Tudo o que tenha a ver com traiçoes infedilidades e mais coisas sou do contra.
Por isso minha amiga amor verdadeiro não age dessa forma e sim age de forma fazendo com que o amor dure para toda a vida e com muito valor e felicidade.
E em relação a ele não passas de um octário um tipo que faz isso a uma esposa não a merece achas pouco o que ela te dá e te transmite?
O odio me rodeia sabendo que existe homens assim e mulheres.
Sexo a 3?Não passas de um chantagista se eu estivesse contigo pessoalmente e a ler ao mesmo tempo este artigo eu comia-te vivo.
És um animal inracional não pensas que uma mulher ou esposa vale por tudo havendo respeito e honra.
eu tou quase com o mesmo problema so k mais grave tou gravida,e apanho o meu marido a ver desses sites pornograficos e a masturbar se,sinto me triste e desiludida pois comigo diz que tem medo de fazer…ms para se masturbar ja o faz e ainda po cima nega quando o encaro,so passado algum tempo de eu insistir e k ele me diz k e verdade e tinha vergonha de me dizer.so sei chorar e lamentar pa mim msm e quando olho pa ele da me nojo e raiva de saber k ele fez o k fez mesmo eu tando gravida pois sei k n teve respeito nenhum po mim nem pela filha k vem a caminho.prometi a mim msm k ate nascer a mnh filha n irei ter mais relacoes cm ele pois lembro me smpr destes episodios….isto mais um desabafo pois sinto me sozinha e desamparada sem ninguem pa conversar….muito obrigada
Cara Ana Fernandes lamento que esteja a atravessar uma situação tão dolorosa num momento em que precisaria do maior apoio do seu marido. Seria importante saber se o problema da falta de desejo do seu marido por si é anterior à gravidez ou começou a acontecer depois de ter ficado grávida. No primeiro caso existe um problema na sexualidade do casal que necessita de ser abordado pois não será viável uma relação em que uma das pessoas procure fora da relação a satisfação sexual. No segundo caso, as mudanças físicas poderão torná-la menos atraente para o seu marido e até a ideia de que poderá magoar o bébe poderá colocar alguns entraves à relação sexual. Por outro lado, a vinda duma criança pode criar ciúmes e sentimentos contraditórios que poderão levar a um afastamento do pai. Convém dialogarem sobre as razões deste afastamento e falta de desejo e colocarem a hipótese de recorrerem a ajuda psicoterapeutica.
Acho que o homem que faz isso primeiramente não é nem um homem e sim um canalha sem escrupúlo algum,sem respeito para com sua esposa em um stado tão delicado,querida passei por isso,não sei se quando estava grávida ele fez isso mais durante o resguarde sim,mexendo no computador descobrie o histórico de navegação e lá encontrei sites pornógraficos que ele estava visitando quando não estava em casa sabe lá Deus o k ele fazia,era da tal melancia,moranguinho e outros piores fiquei tão triste decepcionada,que iria enbora no outro dia com meu bebê,ai a gente brigou foi a maior coisa,me sentia despresada por causa de safadeza dele e também depois da grávides não estava e ainda não estou contente com meu corpo chegeuei a pensar que era por isso e acho que é,mais fazer o que ,só que disse a ele que na próxima vez vou embora com meu bebe e ele nunca mais vai ver a gente por causa da safadeza dele,então é isso amiga tenha coragem p enfrentar os problemas e se cuida,abraços!!!
desculpe as palavras usadas de formas inapropriadas,mais é que fatos como este me deixam tão chateada que quero colocar tudo o que penso para fora,mais uma vez desculpas.
ola,boa tarde.
dr?e possivel amar e ão sentir desejo pela pessoa amada?
sinto me na idade dos porques…
Olá Lorena, sim é possivel amar e não sentir desejo pela pessoa amada ou deixar de sentir desejo a determinado momento que pode ser temporário ou permanente. A diminuição ou falta de desejo num casal é frequente e pode estar relacionado com vários factores tanto a nível consciente como inconsciente directamente relacionados com a estrutura do indíviduo e ou com a dinãmica do casal. Também poderão existir razões médicas e factores externos como o stress ou fadiga que conduzem à diminuição do desejo, embora não me pareça que seja o seu caso pelo descrição que fez da situação noutro post.
muito obrigada pelob esclarecimento Dr. Como disse em outro post, não vale apena estar numa relaçao assim,pelo que vou tentar mais que tudo,leva lo a aceitar a terapia de casal.Sempre que falo sobre isso ele diz que não pecisamos, como faço para o convencer a ir? gostava de uma maneira inteligente sem dramas faze lo entender que precisamos disso. Ja falei em separação com ele mas ele nem por nada nos deixa ir, penso que e mais pela nossa bebe, na verdadeeu acho que a nossa relação se baseia nela.eu ja perguntei se ele estava comigo so pela nossa filha,ele disse que não,mas e isso que eu sinto… Há possibilidade de estar a ser paranóica?
Olá Lorena, não me parece que está a ser paranoide mas mais insegura como reacção ao comportamento do seu marido e talvez porque possa ter algumas questões relativas à sua auto-estima e auto-conceito. Se o seu marido não quiser participar numa terapia de casal poderá sempre optar por uma psicoterapia individual para a ajudar a ultrapassar este impasse e sentir-se mais reforçada para lidar com o tipo de problemas descrito.
Olá Dr. Rui. Eu estou passando por um problema semelhante ao artigo publicado. O meu marido tem o hábito de conversar com mulheres on-line passando de chats para o msn e depois para contactos através de telefone. Já o confrontei várias vezes por causa disto, a última das quais apanhei uma msg no telefone em que uma mulher lhe perguntava qd ele se encontrava com ele. Disse-lhe que não admitia isto. Ele admitiu que errou, que não voltava a fazer. Agora passado 2 meses volto a ver que ele continua no chat, que continuam as conversa on-line. Terei que acabar com esta relação? Por um lado não acho motivo para acabar, não houve traição física, por outro lado ele não entende que está a fazer uma coisa errada pois continua a fazê-lo e pôs em causa a minha confiança nele. Neste momento sinto mesmo uma grande desilusão e vontade de partir para outra….
Cara Sofia, como refiro no artigo é importante que o casal esclareça qual é a fidelidade esperada na relação e que ambos assumam esse compromisso perante o outro. O conceito de traição depende de como a fidelidade é encarada. Se o seu marido admitiu que errou parece-me que está a admitir que traiu o compromisso de fidelidade para consigo. A traição não tem de ser física, a traição é o rompimento unilateral do compromisso com a outra pessoa, o que pode ser escondido ou assumido como forma de pressão o que não deixa de ser uma forma de abuso sobre o outro. Cabe-lhe a si decidir em que termos aceita manter a relação com o seu marido e confrontá-lo mais uma vez sobre a sua posição. Por outro lado também poderão conversar sobre as razões que levam o seu marido a procurar contactos com outras mulheres e de que forma esta situação reflecte questões individuais ou relativas ao funcionamento da relação que possam ser melhoradas ou para as quais possam procurar ajuda
Obrigada Dr. pela sua resposta. Em relação às razões que o levam a fazer isto, já lhe perguntei uma vez pq fazia. Respondeu-me que não sabia, que era uma pancada talvez. Eu várias vezes me interroguei no que estava a fazer de errado e cheguei à conclusão que nada fazia de errado. Temos bom diálogo, uma boa relação. Ele próprio diz isso. Que não podia ter uma mulher melhor. Por isso não entendo….A minha preocupação com isto tudo é que ele me traia mesmo pois uma coisa leva a outra e ele, apesar de achar que ele faz isto por todos os motivos menos trair, possa ultrapassar os limites e eu esteja aqui a perder o meu tempo.