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	<title>Rui Ferreira Nunes</title>
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	<description>Psicoterapeuta</description>
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		<title>Informação sobre férias</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 07:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Informam-se as pessoas interessadas que o consultório estará encerrado para férias de 14 de Agosto a 5 de Setembro. As pessoas que desejarem marcar consulta para setembro ou outro tipo de informações poderão continuar a fazê-lo através do email do site: email@ruiferreiranunes.com
Obrigado e boas férias para todos!
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Informam-se as pessoas interessadas que o consultório estará encerrado para férias de 14 de Agosto a 5 de Setembro. As pessoas que desejarem marcar consulta para setembro ou outro tipo de informações poderão continuar a fazê-lo através do email do site: email@ruiferreiranunes.com</p>
<p>Obrigado e boas férias para todos!</p>
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		<title>Deixámos de ter sexo</title>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 06:09:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consultório online]]></category>
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		<category><![CDATA[relação]]></category>
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		<description><![CDATA[Chamo-me Paulo tenho 39 anos e sou casado à 8 anos com uma mulher maravilhosa, somos pais de um belíssimo filho com 6 anos. A minha esposa não tem desejo sexual e também não sente necessidade do mesmo, isto desde que o nosso filho nasceu.
No tempo de namoro tive que me impor um pouco para que tivesse-mos relações sexuais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Chamo-me Paulo tenho 39 anos e sou casado à 8 anos com uma mulher maravilhosa, somos pais de um belíssimo filho com 6 anos. A minha esposa não tem desejo sexual e também não sente necessidade do mesmo, isto desde que o nosso filho nasceu.</p>
<p>No tempo de namoro tive que me impor um pouco para que tivesse-mos relações sexuais, as quais não correram lá muito bem. Eu tenho tendência para me excitar em demasia, e na 1ª vez que tivemos relações sexuais não aguentei tanta excitação e masturbei-me antes mesmo da penetração, ela não gostou da situação pois pensava que eu estava a gozar com ela.</p>
<p>Após a 1ª experiência falhada tentamos várias vezes e eu em muitas vezes voltei a ter ejaculação precoce, no entanto com a ajuda dela a nossa vida sexual foi se acertando, até ao ponto de termos quase todos os dias relações sexuais.</p>
<p>Namoramos cerca de 1 ano e decidimos casar, passado meio ano a minha esposa engravidou e começou a ter menos desejo sexual. Após o nascimento do nosso filho o desejo sexual dela foi desaparecendo, tendo uma ou outra vez uma relações um pouco à pressa e sem qualquer vontade por parte dela, eu não, tinha sempre muita vontade em voltar a fazer sexo com a minha esposa. Nas pequenas vezes, raras, que tínhamos relações, ela queixava-se muito que tinha dores e eu com isso excitava-me que consequentemente tinha orgasmos praticamente só de ela me tocar. Passamos a não termos penetração e de tempos e tempos, muito longínquos, eu acercava-me dela e “forçava” o acto sexual. Quando digo força, insistia para que ela tivesse necessidade de ter relações sexuais comigo. Algumas vezes, poucas, a minha esposa, a muito custo, lá me ajudava a masturbar-me, e eu ficava todo contente e também lhe fazia a ela o mesmo, mas sempre contra a vontade dela. As coisas foram se alterado e eu cheguei à conclusão que não valia a pena estar a insistir, quando ela tivesse vontade ela que me procurasse.</p>
<p>Ultimamente tenho notado que ela dá mais atenção as pessoas de fora do que a mim, comecei a ficar desconfiado que ela tivesse outro parceiro e comecei novamente a apertar com ela, sendo que ela sempre me rejeitava, alegando ou que estava mal disposta ou cansada ou porque o filho estava conosco, mil e um desculpas só para não fazermos sexo. Abordei de uma forma um pouco rude, verbalmente, no sentido de voltarmos a ser um casal e não só pais do nosso filho, e após muita insistência minha ela disse-me que não se ia deitar na cama comigo só para fazer sexo, pois não tinha desejo nenhum, não tinha intenções de me servir como as meninas de boa vida fazem. Mais informou-me que já se habituou a viver sem sexo e não sente necessidade nenhuma.</p>
<p>Estou muito triste com este situação, pois eu adoro a minha mulher, e com esta situação de ela não querer ter sexo comigo, está a dar comigo em doido. Segundo ela não tem interesse em fazer sexo comigo nem com ninguém e ficou super zangada com eu desconfie dela. Ela inclusive disse-me que gosta de mim, mas que já não sente necessidade de ter sexo, não sente falta, disse que se nós por ventura nos separarmos ela não vai querer mais nenhum homem e também tem a certeza que não arranjará outro homem melhor do que eu.</p></blockquote>
<p>Caro Paulo,</p>
<p>O problema que apresenta tem alguma complexidade na medida em que a falta de desejo da sua mulher é anterior ao nascimento do seu filho e não provocada por este. A sua mulher tem um problema de sexualidade que necessita de ser investigado e que foi reforçado negativamente através da dinâmica da relação e da forma como ela sentiu (e atribuiu significado) à sua abordagem sexual bem como do nascimento do seu filho.</p>
<p>Em Portugal, devido às características culturais e sociais do país é frequente as mulheres apresentarem problemas de sexualidade relacionados com a forma como a aprendizagem da sexualidade foi feita e a ideia de que os homens tendem a instrumentalizar as relações para conseguirem ter sexo que é muitas vezes visto como uma forma de objectificação e até abuso das mulheres. Esta ideia é óbviamente uma distorção grave do que deverá ser uma sexualidade saudável no contexto da relação amorosa, em que o sexo é a expressão física do afecto que aproxima e consolida a relação.</p>
<p>Por outro lado, também é comum as mulheres instrumentalizarem a relação sexual como forma de sentirem poder na relação. A pessoa que decide sobre quando e como o casal tem sexo é óbviamente a pessoa que controla uma parte fundamental da relação. Numa sociedade ainda marcada por um certo machismo o controle do sexo era muitas vezes o único recurso das mulheres para conseguirem reinvindicar outras necessidades na relação como atenção, valorização do seu papel etc.</p>
<p>Uma relação intíma sem sexualidade é uma relação disfuncional na medida em que uma parte fundamental da intimidade do casal é negligenciada com consequências óbvias para o funcionamento da relação como por exemplo a frustração que está a sentir e que dá origem a uma resposta cada vez mais inibida da sua mulher e um afastamento do casal. Por outro lado é necessário analisar que outros factores poderão estar na origem na recusa da sua mulher que poderão ser de ordem individual e ou relacional.</p>
<p>Este tipo de problemas têm tratamento e conseguem-se obter bons resultados muitas vezes num período curto de tempo. Se a sua mulher não se quiser tratar, o Paulo terá que ponderar até que ponto deseja permanecer numa relação em que não há sexo. Uma relação sem sexo só poderá fazer sentido se ambas as pessoas quiserem essa opção, caso contrário haverá sempre algum tipo de consequências para a dinâmica do casal que levam muitas vezes à separação ou à procura de sexo fora da relação. O que seria lamentável porque vejo que gosta da sua mulher e ela de si.</p>
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		<title>A Vida Sexual do Casal</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 12:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos leitores têm colocado diversas questões relativas à sexualidade no contexto da relação, em particular as questões relativas à falta de desejo.
Na sua última obra intitulada Resurrecting Sex (2002), David Schnarch,  um autor de referência na área da sexualidade e terapia familiar, apresenta em linguagem acessível um modelo para ajudar os casais a compreender e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos leitores têm colocado diversas questões relativas à sexualidade no contexto da relação, em particular as questões relativas à falta de desejo.</p>
<p>Na sua última obra intitulada <em>Resurrecting Sex </em>(2002), David Schnarch,  um autor de referência na área da sexualidade e terapia familiar, apresenta em linguagem acessível um modelo para ajudar os casais a compreender e ultrapassar os problemas sexuais.</p>
<p>Schnarch considera que o funcionamento sexual da relação é um reflexo da forma como nos posicionamos face à outra pessoa e da maneira como toleramos a nossa ansiedade no contexto da relação. Por outras palavras, a pessoa mais segura de si não ficará dependente da resposta do parceiro(a) para validar o seu comportamento e o seu desempenho sexual. A pessoa mais diferenciada será aquela que melhor tolera e aceita as suas fragilidades e como tal tem melhor capacidade para dialogar com o parceiro(a) sem se sentir posta em causa.</p>
<p>Por exemplo, se um dos elementos do casal depende da resposta do outro para se sentir atractivo e desejado, ficará sempre refém do comportamento do primeiro e da ansiedade que poderá sentir se este se afasta temporariamente mesmo que por outro tipo de razões.</p>
<p>A pessoa mais diferenciada tem melhor capacidade para manter-se calma e em consonância com os seus valores quando é desafiada pelo parceiro(a). A pessoa que é capaz de se confrontar consigo mesma consegue ficar menos reactiva quando o parceiro(a) fica ansioso ou provocador. A capacidade para tolerar o desconforto da diferença de opiniões permite à pessoa afirmar-se na relação, crescer e ultrapassar os problemas que possam surgir através da capacidade para aceitar que o outro é diferente dela.</p>
<p>Na obra referida, Schnarch estabelece um modelo para resolução dos problemas sexuais  dos casais organizado em três eixos fundamentais: 1) optimização da capacidade de resposta do corpo; 2) optimização da estimulação recebida e 3) optimização dos sentimentos, emoções e pensamentos, incluindo a relação com o parceiro(a).</p>
<p>A resposta do corpo está condicionada por factores fisiológicos decorrentes da idade, níveis hormonais e uma variedade de questões médicas que podem interferir no desempenho sexual. Um exame médico completo poderá identificar algumas das causas das dificuldades sexuais. Contudo, convém lembrar que o corpo não opera desligado da mente e que grande parte dos problemas sexuais têm uma componente psicológica. Até para os problemas estritamente médicos existe sempre uma resposta emocional. Nos problemas sexuais a componente emocional estará invariavelmente presente quer seja como causa ou como resultado.</p>
<p>Scharnch considera que a estimulação sexual implica que os parceiros sejam tão voluntariosos para dar prazer como para receber. O autor considera que a conexão emocional durante o sexo é um pressuposto necessário para optimizar a estimulação sexual. Dar as mãos ou olhar nos olhos durante a relação sexual pode ajudar a retomar a conexão emocional quando esta se perde, como por exemplo nos casos em que a pessoa tem dificuldade em associar o acto sexual à expressão de afecto pelo outro. A quantidade e a qualidade da estimulação sexual estão muitas vezes relacionados com a disponibilidade para ir ao encontro do outro e das iniciativas que este possa tomar. Uma atitude não defensiva e um maior investimento nos preliminares ajudam o corpo (e a mente) a descontrair e facilitam a resposta sexual.</p>
<p>A estimulação sexual do casal está claramente associada aos pensamentos, sentimentos e emoções decorrentes do funcionamento da relação. Os casais que têm por hábito partilhar actividades, apoiarem-se mutuamente nos momentos difíceis e colaborarem nos processos de decisão sentem-se mais próximos emocionalmente e mais disponíveis sexualmente. Se uma das  pessoas está zangada, frustrada ou ressentida com a outra torna-se muito difícil a aproximação e tende diminuir o desejo sexual. Lidar com os problemas que despoletam sentimentos negativos  e aceitar falar sobre as razões de cada um numa atitude conciliatória e não acusatória promove a auto-estima de ambos os membros do casal e reforça a intimidade.</p>
<p>Schnarch sublinha as vantagens dos casais expandirem o seu reportório de comportamentos sexuais, experimentando situações em que possam explorar a forma como cada um se pode expressar através do sexo, incluindo fantasias e aspectos transgressores que tornam a relação sexual mais erótica. O erotismo é uma experiência subjectiva e reveladora do nosso mundo interior. A capacidade para partilhá-la com o parceiro(a) reforça os laços afectivos ao mesmo tempo que promove a aceitação do outro como um todo.</p>
<p>O comportamento sexual é em grande parte resultado da relação que temos connosco mesmo e  da forma como nos vemos a nós e aos outros. Muitas vezes as pessoas procuram justificar os seus problemas devido a condicionantes psicológicos, aspectos culturais e sociais. Schnarch considera que o significado dos problemas sexuais não é necessariamente a causa destes mas antes o resultado. Por exemplo o significado atribuído à falta de prazer na relação pode reforçar o problema e condicionar a forma de o resolver.</p>
<p>Melhorar a relação sexual implica tolerar maior conexão emocional e capacidade para arriscar ser diferente, reconhecendo que podemos mudar sem receio de perder a nossa identidade. A dificuldade de alterar o comportamento sexual reside precisamente na relação intrínseca entre o que nós somos e como nos comportamos sexualmente. Segundo Schnarch, modificar o comportamento sexual  implica mudar aquilo que eu sou e a relação com o outro e este será o maior desafio colocado nos problemas da sexualidade.</p>
<p>Referências:</p>
<p>Schnarch, David (2002). <em>Resurrecting sex</em>. New York: HarperCollins Publishers.</p>
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		<title>Abuso Disfarçado de Amor</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 18:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[abuso]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[“&#8230;Ele faz-me constantemente sentir que me ama mais do que eu a ele. Faz uma cena de ciúmes se eu olho para outro homem, quer ver as mensagens no meu telemóvel, telefona-me várias vezes durante o dia para saber onde estou e o que estou a fazer. Ele amua se eu não estou de acordo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“&#8230;Ele faz-me constantemente sentir que me ama mais do que eu a ele. Faz uma cena de ciúmes se eu olho para outro homem, quer ver as mensagens no meu telemóvel, telefona-me várias vezes durante o dia para saber onde estou e o que estou a fazer. Ele amua se eu não estou de acordo com os seus planos ou se expresso uma opinião diferente. Ele mostra-me as fotografias das suas antigas namoradas e relata pormenores das relações. Zanga-se comigo ou fica irritado por motivos alheios às minhas intenções. Parece não querer escutar os meus argumentos nem valida os meus sentimentos. Faz-me frequentemente sentir culpada!&#8230;”</p>
<p>(relato ficcionado baseado em relatos reais)</p>
<p>Quando falamos em abuso numa relação tendemos a imaginar situações de agressividade óbvia como insultar a pessoa, agredir alguém fisicamente, rebaixar ou humilhar o parceiro(a), ameaçar ou fazer chantagem emocional.</p>
<p>Contudo, os comportamentos abusivos numa relação podem tomar formas subtis que, de uma maneira velada, mas persistente, acabam por causar danos psicológicos tão ou mais destrutivos que a agressividade explícita.</p>
<p>As situações de abuso estão sempre relacionadas com a dinâmica entre poder pessoal e poder sobre o outro. Numa relação saudável o poder está equilibrado, existe reciprocidade, respeito pelas opiniões do outro, empatia e partilha nas decisões e tarefas da conjugalidade. Na relação abusiva, uma das pessoas tenta controlar a outra com vista a sentir maior poder pessoal e segurança interna em relação a si como à própria relação.</p>
<p>O reconhecimento das formas de abuso mais subtis torna-se mais difícil por se confundir muitas vezes com padrões culturais socialmente aceites, herdeiros da ideia da relação como forma de posse sobre o outro, cuja dinâmica é privada e como tal está protegida do exterior. Uma cena de ciúmes ainda é vista como prova de amor, mesmo que dela resulte a imposição de condições ao comportamento do outro e a limitação da sua vontade ou liberdades pessoais.</p>
<p>Por outro lado, com o tempo, a pessoa abusada tende a adaptar-se ao comportamento abusivo do parceiro(a) e a aceitá-lo como condição para permanecer na relação. As tentativas logradas de se fazer ouvir dão lugar a cedências ao outro e à instalação de dúvidas sobre os nossos actos e intenções, o que resulta numa forma de diminuição de poder pessoal, alteração da percepção do abuso e consequente esvaziamento emocional.</p>
<p>São vários os sintomas de abuso pouco perceptível numa abordagem mais superficial:</p>
<p>— Uma das pessoas fica frequentemente irritada ou zangada com o parceiro(a). Perante a reacção surpreendida do parceiro, nega que está zangado e faz o outro sentir-se culpado do sucedido.</p>
<p>— Quando a pessoa abusada tenta expressar os seus sentimentos, o abusador recusa-se a valida-los e até a conversar sobre a situação criando no primeiro uma sensação de impotência.</p>
<p>— A pessoa abusada sente-se frequentemente perplexa ou frustrada com as respostas do abusador, não consegue fazê-lo compreender as suas intenções.</p>
<p>Muitas vezes, a pessoa abusada sente-se frustrada não tanto pela forma como a relação decorre mas mais pela manipulação que o parceiro(a) faz da realidade levando-a a sentir-se culpada. Por vezes questiona-se se há algo de errado consigo ou se deveria sentir-se tão mal. O abusador raramente partilha os seus pensamentos e sentimentos com o parceiro(a), parece ter uma posição oposta nos mais diferentes assuntos, fazendo prevalecer a ideia de que ele está certo e o outro errado. Por vezes a pessoa abusada questiona-se se o outro a vê como alguém com vontade e existência separados.</p>
<p>Quando alguém faz exigências pouco razoáveis como a dedicação de todo o tempo livre ao outro ou uma atenção constante às suas necessidades diárias em que nunca se expressa reconhecimento ou satisfação, estamos perante uma forma de abuso emocional.</p>
<p>A critica e a negação das necessidades do outro são formas de controlar a relação tão graves como controlar as acções e movimentos de alguém. O abusador tende com frequência a distorcer e atacar a percepção da realidade do parceiro(a). Expressões como “Tu és tão sensível, não deverias ter ficado magoado, que reacção tão exagerada!&#8230;” desvalorizam e minimizam a resposta afectiva do outro e são destrutivas da intimidade.</p>
<p>Com frequência o abuso verbal e emocional conduzem a situações de violência doméstica. Facilmente o abusador exalta-se e perde o controle sobre os seus impulsos passando ao insulto, à agressão física ou à humilhação em público. Nestas situações, o agressor justifica o seu comportamento imputando culpa à vítima.</p>
<p>A intensidade da angustia da vítima é normalmente determinada pela extensão e intensidade do abuso. Qualquer tipo de abuso é contrario à comunicação saudável, à intimidade e à valorização e crescimento da pessoa. O reconhecimento do abuso é doloroso e implica a perda das ilusões e expectativas que motivaram a relação. Contudo, por mais difícil que seja, o reconhecimento do abuso permite restaurar a integridade física e emocional da pessoa abusada e recuperar o seu direito a ser amado e respeitado com dignidade.</p>
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		<title>Ejaculação Precoce</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 11:45:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em Portugal a aprendizagem da sexualidade está ainda caracterizada pela clandestinidade, por sentimentos de vergonha e pudor associados às práticas sexuais e em alguns contextos o sexo é sinónimo de pecado, sujidade e impureza. A privacidade dos adolescentes não é muitas vezes respeitada pelas famílias cada vez mais obsessivas com o controle sobre os filhos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Portugal a aprendizagem da sexualidade está ainda caracterizada pela clandestinidade, por sentimentos de vergonha e pudor associados às práticas sexuais e em alguns contextos o sexo é sinónimo de pecado, sujidade e impureza. A privacidade dos adolescentes não é muitas vezes respeitada pelas famílias cada vez mais obsessivas com o controle sobre os filhos. Os rapazes têm frequentemente dificuldade em se masturbar de forma descontraída com receio que as mães apareçam de surpresa no quarto. Mesmo quando começam a namorar os jovens portugueses estão normalmente sujeitos a terem as primeiras relações sexuais nas casas dos pais, no carro ou em situações que despoletam um nível elevado de adrenalina ao qual se acrescenta a natural ansiedade de desempenho resultante das primeiras experiências sexuais.</p>
<p>Não é por isso de admirar que em contextos em que as práticas sexuais estão sujeitas a tantos restringimentos que as relações sexuais sejam optimizadas e que a ejaculação aconteça de forma prematura como resposta às situações referidas. No caso de Portugal, depois das primeiras experiências sexuais, os rapazes heterossexuais têm alguma dificuldade em manter uma vida sexual activa mesmo quando estão em relação. Não só porque vivem até tarde em casa dos pais mas também porque as raparigas por razões culturais muitas vezes procuram valorizar-se perante os rapazes, usando a sua (in)disponibilidade sexual como forma de manipular a relação e o jogo da sedução. Curiosamente os homens homossexuais não tendem a ter problemas de ejaculação precoce devido à facilidade com que encontram parceiros para sexo e ao intenso treino adquirido nos primeiros anos de actividade sexual.</p>
<p>Obviamente a ejaculação precoce não é só um problema dos homens portugueses, embora a incidência seja muito elevada no nosso país. Na verdade a ejaculação precoce é a uma das  disfunções  sexuais mais comuns e estima-se que um terço dos homens não se considerem satisfeitos com a sua capacidade para controlar o orgasmo.</p>
<p>Quase todos os homens ejaculam de forma prematura nas primeiras relações sexuais e só com o tempo e prática adquirem o controle necessário para atingir uma experiência mais gratificante e satisfatória. Contudo, muitos deles acabam por definir o seu desempenho sexual pelo tempo apreendido para chegar ao orgasmo, que passa a ser um mecanismo involuntário muito difícil de controlar. Alguns homens acabam mesmo por associar a ejaculação prematura a uma libido fogosa que assim manifesta a intensidade do desejo e excitação pelo objecto sexual.</p>
<p>A definição, causas e tratamento da ejaculação precoce são diversas e motivo de desacordo e controvérsia entre os especialistas. A característica comum a todas as definições é que o homem sente que tem pouco ou nenhum controle sobre o momento da ejaculação o que o leva normalmente a sentimentos de vergonha e inadequação. Esta problemática adquiriu maior importância social nas últimas décadas, em que a duração da relação sexual passou a ser mais valorizada associada ao enfoque no prazer sexual de ambos os parceiros em lugar da viabilidade reprodutiva.</p>
<p>São vários os  tratamentos para a ejaculação precoce. Os mais comuns são as intervenções comportamentais em que são prescritos exercícios para a ser realizados individualmente ou com a parceira(o) com o intuito de (re)aprender o controle ejaculatório. Estes exercícios são acompanhados por uma avaliação da história sexual e de desenvolvimento do paciente com vista a serem identificados conflitos ou desconforto com a sexualidade que possam estar a obstaculizar o desempenho sexual. O objectivo passa por incrementar a auto-confiança e a compreensão e diluição das causas que estiveram na origem do problema.</p>
<p>Outro tipo de abordagem pode ser realizada através da relação, avaliando-se a evolução da sexualidade do casal e a percepção que cada um terá do “problema”. A dinâmica da relação, as questões relacionadas com a sexualidade na família de origem de cada pessoa e o contexto sócio-cultural em que cresceram são outros aspectos a ser considerados. A prescrição de exercícios é focalizada na interacção entre os membros do casal.</p>
<p>Por último, pode-se recorrer a medicação como complemento do tratamento psicoterapêutico, sendo comum o recurso a  antidepressivos da categoria SSRI, que actuam sobre o mecanismo de recaptura de serotonina no cérebro e o Viagra. Tanto uma medicação como a outra de forma geral atrasam a ejaculação, embora como com todos os medicamentos, as respostas são variáveis e a escolha do medicamento deverá obedecer a uma avaliação cuidadosa por parte de um médico especializado nesta área.</p>
<p>Apesar da variedade de intervenções, o sucesso do tratamento nem sempre é garantido e as “recaídas” são comuns. Segundo um dos maiores especialistas na matéria, Derek Polonsky (2000), é fundamental compreender o significado da sexualidade para o homem, a sua capacidade para se sentir confortável na relação intima, e o papel que a ejaculação precoce poderá ter na dinâmica relacional. Polonsky sugere quatro tipos de ejaculação precoce: a Simples, a Simples e Relacional, a Complexa e a Complexa e Relacional.</p>
<p>A ejaculação precoce simples será a mais fácil de tratar e com maior taxa de sucesso nos resultados e permanência destes. Nos casos em que estejam implicadas questões relacionais, o tratamento é mais complicado e está dependente da colaboração da parceira(o), das suas questões individuais e da dinâmica do casal. Os casos mais complexos envolvem problemas psicológicos independentes das questões da sexualidade e implicam uma terapia mais complexa e de maior duração, quer a nível individual quer a nível do casal.</p>
<p>Referências:</p>
<p>Polonsky, D. C. (2000). Premature Ejaculation. In S. R. Leiblum &amp; R. C. Rosen (Eds.), <em>Principles and practice of sex therapy (3rd ed., pp. 305-332). New York: Guilford Press</em></p>
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		<title>Ansiedade Social — Porque não queremos estar sós?</title>
		<link>http://www.ruiferreiranunes.com/artigos/ansiedade-social-%e2%80%94-porque-nao-queremos-estar-sos/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 15:49:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vivemos numa época em que as formas de comunicação e de interacção social estão a atravessar mudanças significativas. As redes virtuais e os canais de chat substituíram em parte as salas de convívio e os salões de baile. Os códigos de sedução estão manifestamente alterados. Já ninguém pisca o olho ou pede lume para seduzir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos numa época em que as formas de comunicação e de interacção social estão a atravessar mudanças significativas. As redes virtuais e os canais de chat substituíram em parte as salas de convívio e os salões de baile. Os códigos de sedução estão manifestamente alterados. Já ninguém pisca o olho ou pede lume para seduzir o outro, as pessoas estão pouco à vontade com o seu corpo e não têm consciência da  linguagem corporal.</p>
<p>A sociedade portuguesa ganhou maior mobilidade social nos anos 80 mas ressente-se agora na procura de novas referencias sociais. As pessoas têm com frequência dificuldade em posicionar-se face ao outro, em termos da combinação do estatuto sócio-económico, padrões culturais e interesses profissionais. A interacção &#8220;ao vivo&#8221; tornou-se mais rara e menos treinada durante o desenvolvimento, agravada pelo medo obsessivo dos pais em relação à segurança dos filhos e pelas dificuldades destes desenvolverem mecanismos satisfatórios de regulação da auto-estima e auto-confiança.</p>
<p>Uma das consequências destas mudanças é o desconforto que um número crescente de pessoas sente ao nível das relações sociais. É normal as pessoas sentirem algum tipo de ansiedade quando estão perante desconhecidos e têm de interagir com estes.  Mas quando este desconforto leva as pessoas a temerem situações de interacção social, a evitarem estarem num grupo ou a ficarem demasiado inibidas ou ansiosas perante alguém que não conhecem, estamos perante um problema de ansiedade diagnosticado pelo Manual Americano de Diagnóstico Psiquiátrico DSM-IV como Fobia Social.</p>
<p>Este manual aponta vários critérios que clarificam os sintomas que as pessoas normalmente apresentam: 1. Um medo acentuado e persistente em relação a uma ou mais situações sociais nas quais a pessoa está exposta a estranhos e ao escrutínio destes. O indivíduo receia agir de forma humilhante ou embaraçosa. 2. A exposição à situação social temida provoca quase sempre ansiedade. 3. A pessoa reconhece que o medo é excessivo e absurdo 4. As situações sociais ou de desempenho são evitadas ou toleradas com intensa ansiedade e mal-estar.</p>
<p>Para diferenciar a ansiedade social normal e a fobia social, o DSM considera que o problema interfere de forma significativa com as rotinas da pessoa impedindo-a por exemplo de desempenhar determinadas funções no trabalho, causa um grau elevado de mal-estar ou aflição e persiste pelo menos durante 6 meses.</p>
<p>As pessoas que sofrem de ansiedade social desenvolvem um medo irracional de que o os outros irão julgá-las de forma negativa qualquer que seja o seu comportamento. A ansiedade resulta essencialmente dum medo de rejeição por parte dos outros e da falta de confiança e aceitação de nós próprios. A ansiedade social produz efeitos no pensamento, no comportamento, no corpo e nas emoções. Dificuldades de concentração, não saber o que dizer, bloqueios do pensamento (&#8221;brancas&#8221;), tremores ou batimentos acelerados do coração estão entre os sintomas mais frequentes.</p>
<p>Para alem dos sentimentos de ansiedade, medo, apreensão e inibição, os indivíduos que sofrem de ansiedade social sentem uma enorme frustração e raiva consigo próprios e com os outros. Estes sentimentos são decorrentes de sentimentos de inferioridade, insegurança e da falta de esperança de poderem alterar o seu comportamento. A raiva e frustração podem dar mesmo lugar a sentimentos de tristeza e depressão.</p>
<p>Para algumas pessoas o problema está limitado a algumas situações como falar em público ou estar com pessoas sexualmente atraentes. Para outras, o problema afecta a maioria das situações que envolvem interacções com os outros. O grau de ansiedade sentido é variável tal como os sintomas. A ansiedade social pode ser também ocasional decorrente duma situação temporária de vulnerabilidade do indivíduo, normalmente causada por factores externos.</p>
<p>Como quase todos passamos por situações de ansiedade social convém conhecer alguns comportamentos  que poderão auxiliar-nos a estar mais descontraídos em contextos de interacção social.</p>
<p>A ansiedade tem como resposta fisiológica o aumento da adrelina no sangue que ao fim de cerca de 15 minutos despoleta o aumento da insulina que por sua vez tem um efeito calmante sobre o indivíduo. Podemos então observar que nas pessoas que tenham os níveis de glucose  adequados, ou seja que se tenham alimentado e dormido satisfatoriamente, a contra-reacção da insulina sobre o efeito da adrenalina é suficientemente rápida para que, ao fim de pouco tempo, possamos interagir com os outros de forma mais tranquila.</p>
<p>A prévia visualização interna das situações e a relativização do impacto que poderemos ter nos outros é outra estratégia bastante eficaz. Se pensarmos no tipo de interacção possível num determinado contexto ou mesmo na possibilidade de avaliação que os outros poderão fazer de nós, concluiremos facilmente que na maior parte das situações de interacção social, os julgamentos são apenas impressões superficiais que só poderão tornar-se juízos mais concretos se nos interessar aprofundar o contacto inicial com alguém. Mesmo nestes casos, teremos o poder de decidir com quem e sobre o quê poderemos partilhar determinados assuntos.</p>
<p>Relativamente a situações mais difíceis de gerir como falar público tem vantagem ensaiar várias vezes sozinho ou com alguém o que se vai expor em público. O recurso à medicação e o tratamento psicoterapêutico ficam normalmente reservados para quem tem este tipo de problema de forma continuada.</p>
<p>Nos casos em que a ansiedade social é generalizada, o problema está relacionado com a estrutura interna da pessoa resultante da combinação de factores biológicos, formação da personalidade e interacção com o meio ambiente.</p>
<p>Do ponto de vista biológico, as pessoas respondem de forma diversa quando o seu sistema nervoso é estimulado, podendo ser mais ou menos reactivas. Um sistema de alerta muito reactivo pode responder mais depressa e produzir sensações fisiológicas mais fortes, proporcionando uma sensibilidade apurada nas relações pessoais. Por outro lado, níveis elevados de reactividade e ansiedade podem tornar-se desconfortáveis por serem difíceis de tolerar.</p>
<p>O temperamento do indivíduo também parece ter influência genética mas são os primeiros anos de vida que determinam em grande parte a personalidade e o sentimento de segurança interno. A relação do bebé com os pais é um factor preponderante na forma como regulamos a nossa ansiedade. Os pais que são consistentes nas relações com as crianças, especialmente em termos de afecto, presença, constância nos comportamentos e empatia com as necessidades reais dos filhos, promovem indivíduos mais seguros, capazes de resistirem melhor à frustração e serem mais confiantes no contacto com os outros.</p>
<p>As relações no seio familiar e nos primeiros grupos de amigos têm um papel fundamental na forma como o indivíduo desenvolve mecanismos internos de regulação da auto-estima. A pessoa que se sente aceite e amado pelos familiares e amigos irá potencialmente construir uma visão positiva de si próprio e desenvolver um sentimento de valor intrínseco que lhe permitirá ser socialmente confiante.</p>
<p>Por outro lado, a forma como a família promove a autonomia dos filhos, dando-lhes espaço para experimentarem e lidarem com as consequências dos seus actos, proporciona uma visão realista do mundo e oferece as oportunidades necessárias para o treino de competências sociais e consequente regulação da ansiedade.</p>
<p>Experiências traumáticas de rejeição do indivíduo ou sentimentos de inadequação face às expectativas dos pais, professores ou outros podem comprometer a capacidade para a pessoa confiar em si e aceitar-se tal e qual é. As marcas deixadas por situações de rejeição ou descriminação podem mais tarde reflectir-se em dificuldades para responder a desafios e exigências mais complexas ao nível das relações sociais, profissionais e das relações intimas.</p>
<p>Factores externos como as imagens promovidas pelos media, valores morais e sociais,  a influencia da tecnologia na comunicação e o nível de competitividade no emprego ou na escola podem constituir-se como obstáculos importantes nas relações sociais e na procura de parceiro(a).</p>
<p>O nível de ansiedade social resulta da forma como cada um consegue gerir os múltiplos factores de pressão interna e externa. As relações sociais estão intrinsecamente ligadas à ideia de sobrevivência e de bem-estar, as pessoas dependem umas das outras e sentem-se estranhas quando são excluídas ou permanecem muito tempo isoladas. Mesmo sentados, sozinhos,  horas em frente a um computador, procuramos muitas vezes o contacto com o outro. Parece que o outro se torna fundamental porque de alguma forma reflecte o que nós somos como também nos  desafia a sermos diferentes.</p>
<p>Referencias:</p>
<p>Butler, G. (2007) Ultrapassar a Ansiedade Social e a Timidez, (Serra, H. Tradução) Lisboa: Casa da Letras (obra original publicada em 1999)</p>
<p>DSM-IV-TR Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (2002) (Almeida, J. N. Tradução) Lisboa: Climepsi Editores (obra original publicada em 2000)</p>
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		<title>Deixa-me Entrar</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 09:11:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[Parece-me que ninguém poderá ficar indiferente ao magnífico filme sueco Deixa-me Entrar. Realizado por Thomas Alfredson e escrito por John Ajvide Lindquist, Deixa-me Entrar conta a história de Oskar, um rapaz de 12 anos, ostracizado por um grupo de colegas de escola que se apaixona por Eli, uma menina vampira com 200 anos. Eli vai ajudar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece-me que ninguém poderá ficar indiferente ao magnífico filme sueco <em>Deixa-me Entrar</em>. Realizado por Thomas Alfredson e escrito por John Ajvide Lindquist, <em>Deixa-me Entrar</em> conta a história de Oskar, um rapaz de 12 anos, ostracizado por um grupo de colegas de escola que se apaixona por Eli, uma menina vampira com 200 anos. Eli vai ajudar Oskar a ultrapassar os seus medos, a crescer, a ficar mais forte e confiante, ao ponto de conseguir enfrentar a crueldade dos colegas. Oskar oferece a Eli a aceitação e o afecto por alguém que não se pode mostrar à luz do dia, que se alimenta do sangue dos outros e cuja natureza parece impossibilitar a relação amorosa.</p>
<p>Com um registo cinematográfico impecável e excelência na interpretação, <em>Deixa-me Entrar</em> é um convite à reflexão sobre a possibilidade de deixarmos entrar na nossa vida alguém completamente diferente de nós e de nos apaixonarmos não obstante a diferença. <em>Deixa-me Entrar </em>é um filme sobre a essência do amor ou sobre a possibilidade e poder transformador da relação amorosa.</p>
<p>O filme evoca a nostalgia do amor adolescente num estado puro, absolutamente capaz de ultrapassar todas as barreiras e em particular  todas as diferenças. O amor que nos torna mais fortes, mais destemidos e capazes. O amor que cria sentido, que nos salva da apatia, da tristeza, do desespero e especialmente da solidão. Afinal Eli e Oskar estão sozinhos no mundo. <em>Deixa-me Entrar</em> representa também o paradigma do amor idealizado na sociedade contemporânea. O amor como salvação da solidão, o amor que nos liberta do quotidiano, o amor que resolve a diferença.</p>
<p>Oskar é o estereótipo do adolescente de hoje, a viver nos subúrbios duma grande cidade, filho de pais divorciados, com os quais tem uma relação emocionalmente distante mesmo quando procura aproximar-se do pai. Oskar está entregue a si próprio. Está abandonado. Nos antípodas do distanciamento e conduta mecânica e moralista da mãe de Oskar, a existência do pai de Eli circunscreve-se e anula-se na procura do sangue que alimenta a filha. O pai de Eli está encarcerado no seu amor incondicional de pai, do qual acabará por ser vítima.</p>
<p>O amor é retratado como incondicional e vampiresco. É o amor que nos eleva, nos salva e nos despedaça. O amor por uma vampira é também o amor que só tem existência numa dimensão transcendental e desde logo idealizada. Apesar de seguir a tradição clássica dos filmes de vampiros, <em>Deixa-me Entrar</em> ganha uma enorme pertinência na forma como nos confronta com a nossa percepção do amor e do fascínio que a relação amorosa exerce sobre nós como solução para os nossos problemas. Cada vez mais o amor é percepcionado como elemento mágico, idealizado, substituto da religião e da crença em algo superior que nos vai salvar.</p>
<p>As dificuldades em estabelecer e permanecer na relação intima estão muitas vezes associadas a esta ideia de amor. Um amor que surge de forma miraculosa e não um amor que se constrói, que cresce, que só existe porque foi investido de experiências e contradições. As dificuldades na relação com o outro surgem muitas vezes porque queremos alguém que nos espelhe ou que seja como nós idealizámos. É talvez por isso que a beleza perturbadora e comovente do amor de Eli e Oskar surge nos aspectos para nós paradoxais e transgressores da entrega e aceitação sem limites da diferença do outro.</p>
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		<title>Amor, Destruição e Transcendência</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 22:36:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
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Na cultura ocidental a ideia do amor é muitas vezes conotada com uma dimensão trágica e uma dimensão transcendental. Estas dimensões estão relacionados com o lado destrutivo do amor ou com a ideia da morte oposta ao amor enquanto expressão maior da vida. A mitologia grega talvez represente da melhor forma estes princípios que ainda [...]]]></description>
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<p>Na cultura ocidental a ideia do amor é muitas vezes conotada com uma dimensão trágica e uma dimensão transcendental. Estas dimensões estão relacionados com o lado destrutivo do amor ou com a ideia da morte oposta ao amor enquanto expressão maior da vida. A mitologia grega talvez represente da melhor forma estes princípios que ainda hoje se encontram enraizados na nossa forma de ver as relações amorosas. Afinal foi a beleza encantatória de Helena que levou Páris a apaixonar-se, a raptar Helena e a ser perseguido por mil navios que deram origem a uma longa guerra que o levou à  morte bem como à destruição de Tróia.</p>
<p>Para os Gregos da Antiguidade bem como para nós o amor está intrinsecamente ligado a poder, conflito, destruição e transformação. É através do amor que o indivíduo procura um sentido para a vida e se defende da ansiedade provocada pela morte. O amor incita-nos a enfrentar  o mundo mas também provoca as dores mais difíceis de tolerar e a iminência da destruição duma parte ou mesmo da totalidade de nós próprios. Medeia mata os filhos por não conseguir tolerar a raiva que sente por ter sido abandonada pelo pai destes, Jasão. A única saída que encontra para resolver a dor resultante do sentimento amoroso é a destruição da expressão concreta desse amor, nem que para isso tenha de transgredir as regras sociais mais essenciais e destruir uma parte fundamental de si própria.</p>
<p>O filosofo francês Bataille (1957/1988) descreve o ser humano como um ser descontínuo em busca de continuidade através do acasalamento e do amor, cuja componente sexual e de reprodução encerram em si mesmas a génese da sua própria destruição e transcendência. Para Bataille, quando procuramos transcender os nossos limites na relação com o outro, está presente uma componente agressiva expressa no acto sexual, na reprodução e nas situações em que estão em causa os limites individuais da nossa descontinuidade. Quando fazemos amor ou nos degladiamos na guerra, estamos a transgredir os limites de nós próprios e do outro e a aproximarmo-nos da morte. Não é por acaso que durante os períodos de guerra ou imediatamente a seguir os indíces de fertilidade aumentam sugerindo que  a iminência da morte do outro instila o desejo de reprodução e continuidade.</p>
<p>Segundo Bataille, a relação amorosa e em particular o erotismo têm um lado transgressor na medida em que promovem a continuidade entre seres individuais ou descontínuos, necessária à procriação num percurso em direcção à morte, estádio último de continuidade e transcendência. Tal como na mitologia grega, o amor e o erotismo contêm elementos transgressores e destrutivos que conferem à relação amorosa a possibilidade de transcendência dos limites do indivíduo, quer em termos físicos, como em termos espirituais e psicológicos.</p>
<p>Um dos autores mais reputados no estudo das dinâmicas relacionais, David Schnarch (1991), demonstra como o amor pode conter um potencial destrutivo mediante a forma como o indivíduo se diferenciou da sua família de origem e projecta na relação com o outro, aspectos não resolvidos durante o seu desenvolvimento.</p>
<p>Segundo Schnarch, a separação não resolvida com a mãe, poderá levar a um desejo de fusão com o parceiro(a) ou a ver o outro como extensão de si próprio. Situação muito comum no contexto português, em que os filhos são criados essencialmente pelas mães (esta tem sido a prática mais corrente) e permanecem na casa dos pais depois de atingirem a idade adulta. Com frequência os filhos adultos dividem as suas atenções entre as mães e os parceiros(as) permitindo uma intromissão inadequada destas na dinâmica relacional. Por outro lado, as mães latinas tendem a recorrer a estratégias muito subtis que reforçam o seu poder junto dos filhos, não os deixando crescer e tornarem-se verdadeiramente autónomos. São exemplos destas estratégias a vitimização, a rivalidade com as noras ou genros em termos de influência e opiniões sobre os mais diversos assuntos, a exigência de compromissos (deveres) familiares, o cuidar dos netos ou a prestação de favores que reforçam o sentimento de dívida para com os pais.</p>
<p>Outros aspectos considerados problemáticos por Scharnch são a falta de gratificação narcísica durante a infância que poderá &#8220;desviar&#8221; a pessoa para um desejo permanente de sentir-se especial ou superior aos outros e tender a procurar a pessoa perfeita que resulta da projecção dessa defesa. Esta estratégia conduz a uma insatisfação recorrente na relação, com frequentes boicotes inconscientes que acabam por destruir a relação.</p>
<p>No extremo oposto, a criança muito gratificada e sobreprotegida tenderá a ficar dependente da aprovação e atenção do outro na relação e a tornar-se muito reactiva quando as suas necessidades não são atendidas, passando a agir duma forma agressiva de que são exemplo as &#8220;birras&#8221; ou &#8220;ataques de ciúmes&#8221;.</p>
<p>Em suma, muitas vezes os casais lutam por gratificação e validação mútuas através da forma como projectam no outro aspectos mal resolvidos no seu desenvolvimento ou decorrentes de situações de negligência ou abuso. Por outro lado, estas lacunas podem conduzir a comportamentos agressivos muitas vezes despropositados porque são induzidos de forma inconsciente.</p>
<p>Segundo Scharchn, as pessoas mais diferenciadas tendem a auto-validar-se em lugar de se validarem através do outro e assim toleram melhor a sua ansiedade em lugar de a projectarem sob as mais variadas formas na outra pessoa, ou a assumirem personalidades parcialmente diferentes dentro e fora da relação.</p>
<p>Na opinião deste autor,  a intimidade e o erotismo são potenciados pelo nível de diferenciação que permite um grau de entrega na relação capaz de ultrapassar os medos inerentes à aparente perda da individualidade ou experiência da continuidade descrita por Bataille. Nestes casos, a intimidade passa a ser extremamente gratificante e reafirmativa, e não destrutiva. Tal como na mitologia grega, o amor pode ser fonte de destruição e conflito mas também de transcendência e transformação.</p>
<p>Referencias</p>
<p>Bataille, G. (1988). O Erotismo (Costa, J., B., Tradução) Lisboa: Antigona. (obra original publicada em 1957).</p>
<p>Schnarch, D. M. (1991). Constructing the sexual crucible: An integration of sexual and marital therapy. New York: Norton Company, Inc.</p>
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