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	<title>Rui Ferreira Nunes &#187; violência</title>
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	<description>Psicoterapeuta</description>
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		<title>Abuso Disfarçado de Amor</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 18:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[abuso]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>“&#8230;Ele faz-me constantemente sentir que me ama mais do que eu a ele. Faz uma cena de ciúmes se eu olho para outro homem, quer ver as mensagens no meu telemóvel, telefona-me várias vezes durante o dia para saber onde estou e o que estou a fazer. Ele amua se eu não estou de acordo com os seus planos ou se expresso uma opinião diferente. Ele mostra-me as fotografias das suas antigas namoradas e relata pormenores das relações. Zanga-se comigo ou fica irritado por motivos alheios às minhas intenções. Parece não querer escutar os meus argumentos nem valida os meus sentimentos. Faz-me frequentemente sentir culpada!&#8230;”</p>
<p>(relato ficcionado baseado em relatos reais)</p>
<p>Quando falamos em abuso numa relação tendemos a imaginar situações de agressividade óbvia como insultar a pessoa, agredir alguém fisicamente, rebaixar ou humilhar o parceiro(a), ameaçar ou fazer chantagem emocional.</p>
<p>Contudo, os comportamentos abusivos numa relação podem tomar formas subtis que, de uma maneira velada, mas persistente, acabam por causar danos psicológicos tão ou mais destrutivos que a agressividade explícita.</p>
<p>As situações de abuso estão sempre relacionadas com a dinâmica entre poder pessoal e poder sobre o outro. Numa relação saudável o poder está equilibrado, existe reciprocidade, respeito pelas opiniões do outro, empatia e partilha nas decisões e tarefas da conjugalidade. Na relação abusiva, uma das pessoas tenta controlar a outra com vista a sentir maior poder pessoal e segurança interna em relação a si como à própria relação.</p>
<p>O reconhecimento das formas de abuso mais subtis torna-se mais difícil por se confundir muitas vezes com padrões culturais socialmente aceites, herdeiros da ideia da relação como forma de posse sobre o outro, cuja dinâmica é privada e como tal está protegida do exterior. Uma cena de ciúmes ainda é vista como prova de amor, mesmo que dela resulte a imposição de condições ao comportamento do outro e a limitação da sua vontade ou liberdades pessoais.</p>
<p>Por outro lado, com o tempo, a pessoa abusada tende a adaptar-se ao comportamento abusivo do parceiro(a) e a aceitá-lo como condição para permanecer na relação. As tentativas logradas de se fazer ouvir dão lugar a cedências ao outro e à instalação de dúvidas sobre os nossos actos e intenções, o que resulta numa forma de diminuição de poder pessoal, alteração da percepção do abuso e consequente esvaziamento emocional.</p>
<p>São vários os sintomas de abuso pouco perceptível numa abordagem mais superficial:</p>
<p>— Uma das pessoas fica frequentemente irritada ou zangada com o parceiro(a). Perante a reacção surpreendida do parceiro, nega que está zangado e faz o outro sentir-se culpado do sucedido.</p>
<p>— Quando a pessoa abusada tenta expressar os seus sentimentos, o abusador recusa-se a valida-los e até a conversar sobre a situação criando no primeiro uma sensação de impotência.</p>
<p>— A pessoa abusada sente-se frequentemente perplexa ou frustrada com as respostas do abusador, não consegue fazê-lo compreender as suas intenções.</p>
<p>Muitas vezes, a pessoa abusada sente-se frustrada não tanto pela forma como a relação decorre mas mais pela manipulação que o parceiro(a) faz da realidade levando-a a sentir-se culpada. Por vezes questiona-se se há algo de errado consigo ou se deveria sentir-se tão mal. O abusador raramente partilha os seus pensamentos e sentimentos com o parceiro(a), parece ter uma posição oposta nos mais diferentes assuntos, fazendo prevalecer a ideia de que ele está certo e o outro errado. Por vezes a pessoa abusada questiona-se se o outro a vê como alguém com vontade e existência separados.</p>
<p>Quando alguém faz exigências pouco razoáveis como a dedicação de todo o tempo livre ao outro ou uma atenção constante às suas necessidades diárias em que nunca se expressa reconhecimento ou satisfação, estamos perante uma forma de abuso emocional.</p>
<p>A critica e a negação das necessidades do outro são formas de controlar a relação tão graves como controlar as acções e movimentos de alguém. O abusador tende com frequência a distorcer e atacar a percepção da realidade do parceiro(a). Expressões como “Tu és tão sensível, não deverias ter ficado magoado, que reacção tão exagerada!&#8230;” desvalorizam e minimizam a resposta afectiva do outro e são destrutivas da intimidade.</p>
<p>Com frequência o abuso verbal e emocional conduzem a situações de violência doméstica. Facilmente o abusador exalta-se e perde o controle sobre os seus impulsos passando ao insulto, à agressão física ou à humilhação em público. Nestas situações, o agressor justifica o seu comportamento imputando culpa à vítima.</p>
<p>A intensidade da angustia da vítima é normalmente determinada pela extensão e intensidade do abuso. Qualquer tipo de abuso é contrario à comunicação saudável, à intimidade e à valorização e crescimento da pessoa. O reconhecimento do abuso é doloroso e implica a perda das ilusões e expectativas que motivaram a relação. Contudo, por mais difícil que seja, o reconhecimento do abuso permite restaurar a integridade física e emocional da pessoa abusada e recuperar o seu direito a ser amado e respeitado com dignidade.</p>
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